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A sintonizar estações...

Inúteis em Lisboa

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O

 que se passa na Assembleia da República não é silêncio estratégico. É apagamento político. E quem se apaga quando devia lutar não merece representar o povo. Os deputados do PSD Madeira Pedro Coelho, Vânia Jesus e Paulo Neves falharam no essencial: defender a Madeira com firmeza, frontalidade e coragem. Não foram eleitos para assistir. Foram eleitos para confrontar. Para exigir. Para incomodar Lisboa quando os interesses da Região fossem ignorados.

Mas o que se viu foi o contrário.

A Madeira não precisa de figurantes no Parlamento. Precisa de combatentes. Precisa de deputados que tenham a espinha dorsal necessária para dizer “não” quando Lisboa tenta impor, cortar ou desvalorizar.

O silêncio destes três nomes não foi neutro. Foi cúmplice. Cada intervenção que não aconteceu, cada posição firme que não foi assumida, cada confronto que foi evitado contribuiu para uma perceção perigosa: a de que a Madeira tem representantes que preferem o partido ao respeito do seu eleitorado.

E isso descredibiliza-os profundamente.

Quem lhes deu o voto não o fez para sustentar carreiras políticas discretas e alinhadas. Fê-lo na expectativa de ver a Madeira defendida sem medo. Fê-lo acreditando que haveria firmeza. Fê-lo esperando diferença. Em vez disso, recebeu silêncio.

A mensagem para Miguel Albuquerque deve ser clara, se o PSD apresentar a mesma lista nas próximas eleições, arrisca-se a sofrer uma derrota humilhante. Porque há um limite para a paciência dos eleitores. E esse limite está a ser atingido.

Renovar não é opcional, é urgente. A Madeira precisa de deputados sem medo, sem dependências, sem amarras. Deputados que façam barulho, que criem desconforto, que obriguem Lisboa a ouvir.

Com estes, muitos já decidiram, não votam. E quando a confiança morre, não há máquina partidária que a ressuscite nas urnas.

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