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O Chega do sistema ao lado do PSD pelas Ginjas

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Estavam contentes que tinham desistido das Ginjas?

O presidente da Câmara Municipal de São Vicente, eleito pelo Chega, lamenta a decisão do Governo Regional de revogar o concurso para o projeto da Estrada das Ginjas, que ligaria São Vicente ao Paul da Serra. José Carlos Gonçalves considera tratar-se de um retrocesso, mas espera que o investimento, estimado em 11 milhões de euros, possa avançar quando houver disponibilidade financeira. O Executivo justifica a decisão com constrangimentos processuais e financeiros, defendendo que a proteção da floresta será assegurada através de medidas alternativas já aprovadas.


A política na Madeira tem um talento especial para revelar as verdadeiras cores de quem chega ao poder. São todos laranjas, só que uns passaram-se do PSD para o Chega. O caso da Estrada das Ginjas, que ligaria São Vicente ao Paul da Serra, é o mais recente palco desta encenação. O Chega, que subiu ao palco político com um discurso de rutura e ataques ao "sistema", parece agora estar confortavelmente sentado à mesa do Governo Regional, partilhando o mesmo apetite pelo asfalto e pelo investimento duvidoso. Mas, se a ação é igual, então a mudança era só de personagens, como diria o Chega, para tachos.

Os argumentos à primeira vista, parecem lógicos, facilitação do combate a incêndios, apoio aos agricultores e melhoria das acessibilidades. O Governo Regional fala em "constrangimentos financeiros" para adiar o projeto, mas nunca abdica da intenção. Dizem que os críticos agem por "capricho". Nada é mais falso.

É preciso salientar que não há caprichos nas providências cautelares. Elas são mecanismos jurídicos sérios, usados quando há um risco real de dano irreversível. No caso das Ginjas, o que está em jogo é o coração da nossa Laurissilva, um património mundial que não pertence a este ou àquele governo, mas às gerações futuras. Travar uma obra de 11 milhões de euros que ameaça a floresta não é teimosia, é um ato de sanidade perante uma política desvairada. Será que ali cabia um hotel ou estalagem e um campo de golfe? As ameaças são reais com a abertura do caminho. E não me falem em degelo, então com alcatrão é uma alcatifa para a água.

As providências cautelares baseiam-se em dados científicos e leis ambientais europeias que a Região não pode simplesmente ignorar com um "falar grosso" do Albuquerque e do Gonçalves. É por aqui que se percebe que o Chega lê da mesma maneira que o PSD os assuntos.

Como conhecemos tão bem o engodo do PSD, romântico no apoio aos agricultores, mas a estrada é para outros amigos. O que se prepara é o tapete vermelho para futuros investimentos hoteleiros e explorações privadas no Paul da Serra. É o velho vício da Madeira, usar o erário público para valorizar terrenos e projetos de uma elite selecionada.

O apoio do Chega de São Vicente a esta pavimentação é a prova de que o partido já aprendeu a linguagem do sistema. Falam grosso nos comícios para seduzir o povo, mas, na hora da verdade, alinham-se com o betão e com o Governo Regional. O Chega não quer mudar o sistema, quer apenas o seu lugar no "pote".

Não é a primeira fez que o Chega fala grosso em eleições e atraiçoa. Aprendam!


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