Um ensaio com cruzamento de dados sobre o corpo de uma mulher, com cerca de 40 anos, encontrado a flutuar a cerca de nove quilómetros a sul das Ilhas Desertas, por alerta de uma embarcação de pesca.
C
O que sabemos da reunião das notícias?
- Data e Hora: O alerta foi dado às 13h24 de sábado, 31 de janeiro de 2026.
- Localização: Aproximadamente 5 milhas náuticas (9,3 km) a Sul das Ilhas Desertas.
- Vítima: Mulher, idade estimada em cerca de 40 anos.
- Estado: O corpo foi encontrado a flutuar. A delegada de saúde realizou a verificação do óbito no cais do Funchal, mas as causas e o tempo de morte aguardam autópsia.
Para um corpo ter chegado a 5 milhas a sul das Desertas, temos de olhar para a deriva predominante nos dias anteriores, ou seja, de 28 a 31 de janeiro. Naqueles dias, a Madeira esteve sob influência de uma frente fria. A ondulação predominante era de Noroeste (NW), com ondas de 2 a 3 metros na costa norte. Com as correntes de superfície, o vento de Oeste/Noroeste e a ondulação de NW, a tendência natural de deriva para um objeto a flutuar na costa sul da Madeira é ser empurrado para Sudeste (SE).
Se o corpo tivesse caído no mar no Funchal ou no Caniço, a deriva natural de NW/W fá-lo-ia passar entre a Madeira e as Desertas ou ser empurrado para sul delas. Estar a "5 milhas a sul" sugere que o corpo viajou no sentido da corrente de Noroeste que contorna a Ponta de São Lourenço ou que veio diretamente de uma embarcação em trânsito no corredor marítimo a sul.
Com estes primeiros elementos podemos ter as duas primeiras hipóteses
- Se veio da Ilha (Madeira), o ponto mais provável de queda seria a zona leste (Caniço, Santa Cruz ou Machico) 24 a 48 horas antes.
- A localização (sul das Desertas) é uma zona de passagem para navios que contornam o arquipélago. O facto de estar em mar aberto e a sul de uma reserva natural torna a queda de uma embarcação uma hipótese muito forte.
O facto do corpo estar a flutuar é o indicador cronológico mais importante. Um corpo recém-afogado tende a afundar. A flutuação ocorre quando os gases da decomposição (putrefação) inflam o abdómen. Em águas com temperatura de 18/19ºC (registada pelo IPMA naquela data), este processo demora geralmente entre 2 a 4 dias.
Não consegui ler em nenhuma notícia de que o corpo estava em "elevado estado de decomposição", forma como as autoridades usam normalmente quando um corpo está irreconhecível. É por isso, especulação porque podem não ter adicionado isso às notícias, que as notícias sugerem que a morte é recente, possivelmente ocorrida entre os dias 28 e 29 de janeiro. Se estivesse no mar há mais de uma semana, a fauna marinha e a agitação marítima forte (ondas de 3-4m registadas naquelas datas) teriam causado danos visíveis que seriam reportados.
Portanto, se tivesse caído na manhã de sábado, o corpo dificilmente estaria a flutuar a 5 milhas das Desertas, estaria provavelmente submerso ou mais próximo da costa. O vento forte de quadrante Oeste/Noroeste que atingiu a região na sexta-feira (30 janeiro) pode ter sido o motor que acelerou a deriva do corpo do "meio" do canal para a posição a sul das Desertas. Se for uma residente da Madeira, o desaparecimento teria de ter ocorrido por volta de quarta ou quinta-feira (28-29 janeiro). Não sendo o caso, a pista principal aponta para o tráfego marítimo internacional que cruza a sul das ilhas.
O passo seguinte é pesquisar se houve o reporte de desaparecidos nestas datas, fui às notícias e às redes sociais. Não encontrei uma forte hipótese, nas notícias e redes sociais entre 28 e 31 de janeiro de 2026, encontrei esta informação (pode me ter escapado alguma):
- Existe uma idosa, M.M., de 82 anos com pedidos de ajuda de familiares nas redes sociais e meios de comunicação local (JM Madeira). Apesar de estar dentro do tempo lógico, fica descartada porque uma mulher de 80 anos dificilmente seria confundida com uma de 40 pela delegada de saúde e pela Polícia Marítima no cais, mesmo após 2-3 dias na água.
- Existe também referências a pedidos de amigos para localizar uma mulher desaparecida no Caniço desde um domingo anterior. No entanto, se o desaparecimento for muito anterior a 28 de janeiro, o estado do corpo encontrado (sem menção a decomposição avançada) pode tornar esta hipótese ainda menos provável do que a anterior.
- Houve outro desaparecimento de uma jovem, mas foi encontrada com vida no dia 31 de janeiro.
Não temos hipótese forte, só se as autoridades ou jornalista se enganou na idade, mas não acredito.
Se nas próximas horas a Polícia Judiciária não confirmar a identidade como sendo de alguém da ilha, não reportada nas notícias ou pessoa sem família, a tese de queda de uma embarcação/navio de cruzeiro ou mercante ganha força. Veremos se a PJ encontra correspondência com as impressões digitais/ADN de residentes
Último pormenor, se o corpo veio de um navio que passava a sul da Madeira em direção a Canárias ou África, a corrente tê-lo-ia empurrado precisamente para a zona a sul das Desertas.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:

Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.