A
Li um excecional texto a alertar que Bruno Melim não cumpre a sua função enquanto ridiculariza um parceiro de coligação para uma maioria absoluta. Foi ele que me motivo escrever este texto. Quero ir mais além. Não só os jovens estão a votar no Ventura, também as famílias fartas, e aposto que não existem fascistas, existe gente que fica sempre para trás na política de Albuquerque, mas sobretudo o grande malfeitor, Eduardo Jesus, responsável directo pelo custo de vida, custo das casas, destruição da qualidade de vida, insustentabilidade, esgotamento da capacidade de carga da natureza e das vias, e subsídio social de mobilidade, ele consegue trazer toda a gente, mas não consegue fazer sair os madeirenses. Dito assim é um verdadeiro representante do povo (ironia).
Estou em crer, pelo que ouço as pessoas falar, que o fenómeno do voto de protesto contra a gentrificação e a perda de identidade chegou. Nós não inventamos nada, é só olhar para onde os problemas começam primeiro. Lamento que os nossos governantes não evitem cair nos mesmos problemas.
O crescimento do Chega na Madeira não é um fenómeno isolado, mas encontra terreno fértil nas queixas que ouço, há cansaço e reação, a larga maioria nada tem a ver com a ganância do "overtourism" que não os beneficia, antes distroí empregos mal pagos e precários. O aumento do custo das casas (impulsionado pelos vistos Gold e pelos Nómadas Digitais) criou uma barreira para os jovens madeirenses (sobretudo). Quando o eleitor sente que a sua terra já não é para ele, mas para o turista, o voto em partidos "anti-sistema" ou nacionalistas torna-se uma arma de retaliação.
A rede viária da Madeira, embora moderna, não foi desenhada para o volume atual de rent-a-cars. O trânsito matinal na via rápida torna-se o símbolo diário desse desconforto, é a saturação da Infraestrutura, com a agravante que isto aconteceu em pouco tempo, todos têm presente o antes e o depois. As pessoas também estão cansadas pela quantidade de "bestas" que não sabem conduzir nem estacionar na Madeira.
Historicamente, o Madeirense é hospitaleiro, mas não exagerem, não lhes destruam a vida, não lhe pisem os calor nem lhes gozem na cara. A narrativa de que os governos sucessivos (PSD/CDS) priorizaram o "cartaz turístico" em vez do "bem-estar do local" é um trunfo que o Ventura sabe usar. Ele nem precisa desviar o discurso, o que serve no continente serve aqui.
Quero alertar o seguinte, o "overtourism" já derrubou governos, foi o prego no caixão de governações. Acho que o PSD-M está muito descansado que controla tudo e vai se surpreender. Para que não digam que invento vou mencionar 3 casos.
Em Barcelona (Espanha), houve o caso Ada Colau. Em 2015, Ada Colau foi eleita presidente da câmara de Barcelona com uma plataforma agressivamente anti-turismo massivo. Venceu prometendo congelar licenças de hotéis e combater o alojamento local. Foi o exemplo mais claro de eleitores a penalizarem a "Disneyficação" da cidade. A mesma coisa que estão a fazer no Funchal, mas que parece que se vai chamar "resortificação".
Embora o sistema político italiano seja complexo, a revolta em Veneza contra os grandes cruzeiros levou à queda de coligações locais e forçou o governo nacional a proibir navios no centro histórico, para evitar uma derrota eleitoral catastrófica. Ali ouviram...
Em Amesterdão (Países Baixos), o partido de centro-esquerda e os Verdes ganharam força (e mudaram leis) com base na promessa de "limpar" a cidade do turismo de excessos, proibindo novos hotéis e limitando o número de turistas em certas zonas.
O que eu noto é que isto não é uma questão ideológica, quem está no governo e não ouve... cai.
A tensão entre o lucro do turismo (que paga muitos salários na ilha) e o custo de vida (que esvazia os bolsos desses mesmos trabalhadores) é a grande contradição da Madeira tida por moderna. Bem estar é viver bem. Não é tecnologia, urbanismo, turismo, etc. O Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque com a mania dos campos de golfe e Eduardo Jesus com o "overtourism" estão ao lado de Bruno Melim para o desastre que se desenha. E mais, o silêncio de Albuquerque, que em tempos recebeu Ventura na Quinta Vigia, sobre o mesmo tabu de Montenegro em não dizer que vota democracia e torna o Chega válido também ajuda. Cuidado, às vezes os votos não retornam, sobretudo quando se governa para estrangeiros e o Ventura é uma matraca...
Bruno Melim, não estás sozinho, repara que o CDS pode não chegar para a porcaria que o PSD-M faz, por isso tem juízo ao abrir a boca.
Vamos ver o resultado de domingo, a dois, na Madeira, nas Presidenciais. É uma oportunidade de melhorar a imagem.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.