L
Em primeiro lugar, é perigoso — e teologicamente vazio — evocar a ideia de "raça" para descrever o povo madeirense. Ao tentar elevar o brio local para travar críticas, o autor esquece que a Igreja é universal e que não existe uma "natureza ética superior" baseada na geografia. Defender o "bom nome" da terra acima da busca da verdade sobre uma tragédia não é patriotismo; é um regionalismo redutor que asfixia a justiça.
Mais grave ainda é o aparente divórcio entre estas palavras e a Doutrina Social da Igreja. Ao pedir que não se "ataque a política do betão", o Pe. Silvano está, na prática, a desproteger o trabalhador e a silenciar o dever cristão de denunciar o que está mal. A justiça social exige escrutínio. Não podemos, em nome de uma falsa paz social, ignorar as falhas estruturais que levam a acidentes mortais. O papel de um pastor é ser a voz dos que sofrem, e não o escudo de quem governa.
A misericórdia não serve para calar quem exige transparência. A verdadeira obra de misericórdia, neste contexto, seria garantir que o lucro e o cimento nunca valham mais do que a vida humana. Esperava-se mais de quem tem o dever de guiar consciências pela luz do Evangelho, e não pela sombra da conveniência política.
Com os meus melhores cumprimentos
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.