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O nosso Marcelo.

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Patriota confiável de proximidade.

M

arcelo Rebelo de Sousa, do hipocondríaco ao hiperativo, está no final deste segundo e último mandato. Revelou num percurso de hiper-proximidade, é a sua marca difícil de ultrapassar. Ele não se cansa, não pára, penso que o eleitorado se cansa primeiro com ele, no bom sentido, mas acabou por gerar algum desgaste natural, mantendo uma base de aprovação resiliente. Talvez daqui por uns anos, com o afastamento temporal se tire o que de bom trouxe. Sujeito a críticas como qualquer um, o resultado no meu entender é muito positivo.

No primeiro mandato, Marcelo atingiu níveis de popularidade históricos, muitas vezes acima dos 70% ou 80%. Era o "Presidente de todos", omnipresente e focado na estabilidade após os anos da troika. No segundo mandato, com apoio de António Costa, a popularidade começou a sofrer uma erosão visível, especialmente a partir de 2024. As maiores razões foram o caso das "gémeas brasileiras", as polémicas declarações sobre reparações coloniais (onde 74% dos portugueses discordaram dele) e a sensação de um "comentador em Belém" baixaram a sua nota média para cerca de 9,7 em 20 (segundo a Universidade Católica em 2025/2026). Ainda houve a dualidade de critérios em casos quentes na sua intervenção com a saída de Costa e a tolerância a Albuquerque.

Na situação atual, embora termine com uma avaliação global positiva por ter cumprido os 10 anos, Marcelo sai com menos brilho do que os seus antecessores (Eanes ou Sampaio), sendo visto agora como uma figura mais divisiva do que aglutinadora. Creio que se deve às fortes clivagens e divisões na Direita, à partida a sua base de apoio. É curioso pensar como, se calhar, é mais popular na Esquerda.

André Ventura tem usado Marcelo como o "saco de pancada" ideal para personificar o sistema que ele diz combater. Estes ataques (chamando-lhe "traidor à pátria" ou acusando-o de ser o "Presidente dos bandidos") servem para consolidar a sua base de apoio mais radical, que vê em Marcelo um aliado do PS e da esquerda. Nas sondagens de janeiro de 2026, Ventura aparece com cerca de 32,6% das intenções de voto na segunda volta, provando que esta estratégia de confronto direto o mantém relevante no tabuleiro eleitoral.

Para o eleitorado moderado, estes ataques são vistos como uma falta de respeito institucional "gratuita". No entanto, Ventura não procura o centro; ele procura o ressentimento, e aí, atacar um Marcelo em queda de popularidade é, politicamente, rentável para ele. Mas vale tudo na política? Não é confrangedor? Talvez chegue a hora de Ventura enfrentar a intolerância e saber estar... um dia.

Historicamente, existe uma "nobreza" no cargo que exigia que antigos e atuais ocupantes de Belém se protegessem mutuamente para preservar a Instituição Presidencial. Eu acho que deveria ser extensivo aos candidatos, porque se depois relaxam, demonstram que não têm perfil para o lugar e muito menos se candidatar outra vez. Candidatos e Presidentes deveriam criticar as políticas, mas nunca desumanizar ou insultar a figura do Chefe de Estado, pois isso enfraquece o símbolo da unidade nacional.

Ventura quebrou esse "tabu". Ao tratar o Presidente como um adversário comum de rua, ele retira a aura de sacralidade ao cargo. Mais uma vez banaliza e canibaliza as Instituições, parece um Trumpiznho. Esta falta de solidariedade indica uma mudança profunda, a política de Estado está a ser substituída pela política de espectáculo e de fação. Como se une um país assim em democracia?

Acho que posso dizer isto, Marcelo Rebelo de Sousa, ao tentar ser "amigo de todos", acabou por se tornar alvo fácil para quem não quer ser amigo de ninguém no sistema. A falta de solidariedade institucional vista é o sintoma de uma democracia onde o respeito pelo cargo já não vale nada perante o valor de um "soundbite" ou de um vídeo viral.

Cuidado portugueses, desacreditar tudo é o caminho da "guerra civil", feudo dos extremistas, populistas, etc.

Deixo um vídeo que encontrei, do passado para recordar:

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