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P.S. Madeira, entre a retórica e a prática.

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élia Pessegueiro assumiu a liderança do Partido Socialista Madeira e, em tempo recorde, fechou o círculo. Cercou-se dos seus fiéis, reciclou o mesmo núcleo duro de sempre e empurrou para fora militantes com décadas de trabalho, suor e lealdade. Não foi renovação. Foi ocupação. O que se vê é clientelismo interno, nepotismo discreto e uma lógica de poder pequeno, fechado, auto-referencial.

À volta da nova liderança gravitam os mesmos nomes de sempre, muitos oriundos da antiga estrutura camarária da Ponta do Sol. Mudam os cargos, não mudam as práticas. A proximidade pessoal vale mais do que o mérito político. A antiguidade pesa menos do que a conveniência. A militância de base fica a ver navios.

Quando o cheiro a poder regressa, regressam também os oportunistas. Antigos críticos silenciam-se subitamente, textos inflamados desaparecem, a coragem evapora-se. Quem antes escrevia contra o partido, hoje alinha. Quem antes se afastava, hoje aproxima-se. Coerência zero. Ambição máxima.

Internamente, o PS Madeira é um caos crónico. Tudo é decidido em cima da hora, sem planeamento, sem estratégia, sem visão. Repete-se erro atrás de erro e depois culpa-se a base. Faltam pessoas para colar cartazes? Faltam pessoas para ir à rua? Talvez porque quem manda não organiza, não orienta, não respeita. Liderar não é improvisar.

Há militantes eternos nos mesmos cargos e outros que saltam de função em função, sempre bem colocados. Enquanto isso, a maioria é ignorada. Não há oportunidades, não há progressão, não há reconhecimento. Dizem que ninguém está à espera de cargos. Mentira conveniente. Quem entra na política espera dignidade, estabilidade, trabalho reconhecido. Espera viver, não sobreviver.

O mais grave é a hipocrisia. O PS Madeira diz querer ajudar os madeirenses e os porto-santenses, mas é incapaz de apoiar os seus próprios camaradas. Não informa sobre os apoios existentes, não encaminha, não aconselha. Há socialistas nas instituições públicas que sabem — e calam-se. Depois admiram-se da revolta interna.

Isto não é socialismo. É uma feira de vaidades, sustentada pelo trabalho invisível de quem nunca aparece na fotografia. Um partido que não partilha a mesa com os seus não tem autoridade moral para falar de justiça social.

Ou o PS Madeira muda por dentro, ou continuará a apodrecer por dentro. E desta vez, não haverá publicidade que salve.

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