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A sintonizar estações...

Quando a oposição se transmuta em ativo financeiro.

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A

presentar cumprimentos? Sejamos intelectualmente honestos: na minha terra, a esta coreografia de vassalagem e contrição chama-se, sem rebuços, "beijar o anel". É verdadeiramente prodigiosa a destreza com que Albuquerque transmuta oponentes ferozes em "amigos de infância", com a mesma celeridade com que despacha um ajuste directo num final de tarde soalheiro. A fisiologia política em São Vicente sofreu uma metamorfose digna de uma tese de doutoramento: transitou do ruído da contestação para o silêncio sepulcral da submissão. Pelos vistos, a "abertura" do Governo Regional tem sempre a dimensão exacta da carteira de quem se predispõe ao leilão das convicções. 🤮

Urge convocar a Autoridade da Concorrência, pois esta "transferência" de José Carlos deve ter pulverizado todos os recordes do mercado de capitais políticos! Albuquerque não recebeu um Presidente de Câmara; adquiriu, com capitais de risco, um "activo de conveniência". Qual terá sido, afinal, o custo desta capitulação ética? Estaremos perante um preço de saldo ou terá São Vicente passado a aceitar pagamentos em "vouchers de elevação e compromisso", resgatáveis na próxima crise de consciência ou na próxima remodelação de interesses? 💸

"Dossiers pendentes"? Poupem-nos aos eufemismos de circunstância e chamem-lhe "dividendos da traição". José Carlos Gonçalves deslocou-se à Quinta Vigia para um test-drive na cadeira do poder e, ao que parece, o couro da poltrona de Miguel Albuquerque é de uma suavidade irresistível. É uma abertura democrática tão generosa que a coerência política caiu pelo caminho e ninguém se deu ao trabalho de a recolher por falta de valor venal. São Vicente que se acautele: neste regime, o futuro não se constrói, aliena-se... e com juros de submissão compostos!

Extra! Extra! O milagre de São Vicente: o Albuquerque toca num dossier e a oposição vira devoção instantânea! A este ritmo de «progresso e abertura», o próximo passo é a fusão formal dos partidos no «PPD-CHEGA-Me-Ao-Bolso». É poesia orçamental pura: um finge que governa e o outro finge que protesta, enquanto o povo paga, resignado, o bilhete para esta farsa de mau gosto!

«Oponentes»? Só se for no ringue das aparências televisivas! No confessionário da Quinta Vigia, o José Carlos ajoelhou-se com uma agilidade olímpica. Quanto é que custou, em termos líquidos, o silêncio do concelho? Foi preço de amigo ou houve taxa de urgência para o CHEGA se esquecer subitamente de como se conjuga o verbo «opor»? Abram as janelas de São Vicente, que o cheiro a esturro já se sente em todo o arquipélago! 🤮

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