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Sesaram, Marítimo e o verdadeiro significado do Dia do Doente

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SESARAM assinalou o Dia Mundial do Doente com uma iniciativa que incluiu a visita de jogadores do Club Sport Marítimo a utentes, numa ação apresentada como gesto de proximidade e humanização dos cuidados de saúde. A intenção, à partida, parece positiva: proporcionar um momento diferente, levar sorrisos, quebrar a rotina hospitalar ou institucional.

Mas importa refletir com seriedade sobre o real alcance desta iniciativa.

Num lar de idosos ou numa unidade hospitalar, quantos utentes conhecem verdadeiramente os atletas do Marítimo? Quantos acompanham futebol? Para muitos idosos, especialmente os mais fragilizados ou com limitações cognitivas, a presença de jogadores pode não ter qualquer significado especial. E, nesse caso, que valor acrescentado representa?

Dar autógrafos para quê? O que ganham os idosos com uma assinatura num papel? Receber revistas e panfletos promocionais do clube melhora, de facto, o seu bem-estar? Ou estaremos perante uma ação mais promocional do que verdadeiramente centrada no doente?

Outra questão impõe-se: quanto tempo permaneceram os atletas no local? Ficaram apenas o tempo suficiente para fotografias e registos para redes sociais? Ou sentaram-se, conversaram, ouviram histórias, fizeram verdadeira companhia? Humanizar não é apenas aparecer, é estar presente, é escutar, é dedicar tempo.

É legítimo perguntar: quem ficou realmente a ganhar com esta iniciativa? Os idosos? Ou as instituições envolvidas, que associam a sua imagem a um momento mediático positivo? Quem teve esta ideia? Foi ponderado o impacto real nos utentes? No SESARAM consideraram esta ação suficientemente digna para assinalar o Dia Mundial do Doente? E, sobretudo, sabem verdadeiramente o que significa esta data?

O Dia Mundial do Doente não foi criado para gerar boas fotografias. Serve para sensibilizar para a condição de quem sofre, para promover melhorias concretas nos cuidados de saúde, para reforçar o respeito pela dignidade humana e para refletir sobre políticas que garantam acompanhamento, qualidade e humanidade no sistema.

Talvez o SESARAM pudesse e devesse ter escolhido outra forma de assinalar este dia. Poderia ter anunciado medidas concretas para reduzir tempos de espera. Poderia ter promovido sessões de escuta com utentes e familiares. Poderia ter reforçado equipas, criado programas de acompanhamento contínuo para idosos isolados, investido em apoio psicológico ou apresentado um plano de melhoria para as unidades mais carenciadas. Momentos simbólicos têm o seu valor. Mas quando se fala de pessoas vulneráveis, de idosos institucionalizados ou de doentes internados, o simbolismo não pode substituir o compromisso estrutural.

Assinalar o Dia do Doente exige mais do que uma visita. Exige consciência. Exige responsabilidade. Exige compreender que humanizar os cuidados de saúde não é fazer uma ação pontual, é transformar práticas todos os dias.

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