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53.300 razões contra a ilusão do PIB.

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 Madeira não pode continuar refém de uma conversa política, que ignora 53.300 cidadãos em risco de exclusão, enquanto celebra números frios como se fossem pão na mesa. Que valor tem um PIB de 108% quando não paga rendas, não compra alimentos e não aquece casas? A verdade é simples, riqueza sem dignidade é apenas estatística bem maquilhada. Governar não é somar percentagens, é garantir que cada trabalhador vive com decência. Quando os números crescem e as pessoas empobrecem, não há progresso, há desequilíbrio moral.

A lógica é clara e visível, uma economia que cresce sem distribuir bem-estar transforma-se num teatro onde os relatórios substituem a realidade. Este turismo não enche pratos vazios, e a propaganda económica não resolve a precariedade. A pobreza não é um erro de cálculo, é uma falha de governação, uma ruptura entre o poder e o povo. Negá-la é construir uma prisão de silêncio onde a verdade é tratada como inimiga.

Miguel Albuquerque surge neste cenário como um governante que prefere enterrar a cabeça na areia, como uma avestruz política que confunde silêncio com controlo. Ignorar a pobreza não a elimina, apenas a torna mais cruel. O povo pode ter pouco dinheiro, mas não perdeu a capacidade de pensar. A paciência tem limites, e a inteligência coletiva não aceita ser insultada por discursos que tentam tapar o sol com uma peneira.

A relação entre o poder e as elites económicas torna-se evidente quando o crescimento beneficia poucos e sacrifica muitos. Uma ilha não pertence a um pequeno grupo de privilegiados; pertence a quem trabalha, a quem luta, a quem resiste. O governante é um servidor público, não um proprietário do destino coletivo. Quando a política se esquece disto, perde legitimidade e transforma-se numa máquina de números sem alma.

São 53.300 razões para mudar. A riqueza mede-se pela dignidade do cidadão mais pobre, não pelo lucro das elites. A verdade não precisa de propaganda, precisa de coragem. E a Madeira exige, com urgência, uma governação que olhe para as pessoas antes de olhar para as estatísticas.

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