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O Jornal São Vicente demitiu-se da sua função informativa para se tornar o braço armado de uma narrativa populista. Ao confundir a «sentença popular» das redes sociais com a justiça, o jornal não expõe factos; fabrica alvos. Esta publicação é o eco de uma estratégia de diversão: foca-se no espetáculo das ofensas para esconder a ausência de um projeto político sólido para o concelho. É a manipulação da emoção para evitar o escrutínio da razão. O jornal atua como um tribunal de inquisição moderno, substituindo o contraditório pelo insulto. A sua narrativa foca-se no “BMW” e nos cruzeiros para evitar que se pergunte por que razão a Câmara se tornou um satélite do PPD-PSD. O jornal não serve o povo; serve de biombo para o poder regional.
José Carlos Gonçalves apresenta-se como a vítima de uma punhalada, mas a sua postura revela uma lealdade externa. É imperativo questionar: a quem serve realmente o Presidente? A proximidade estratégica a Miguel Albuquerque e à estrutura regional do PPD-PSD sugere que São Vicente está a ser governada como um entreposto de interesses do regime regional. O encerramento e a gestão das Grutas de São Vicente parecem ser uma peça num tabuleiro de xadrez maior, onde as promessas feitas ao partido se sobrepõem ao mandato recebido. O Presidente não é um líder isolado; é um «agente infiltrado» do PPD-PSD, utilizando a bandeira atual como um veículo de conveniência. As Grutas não são o foco; o foco é o controlo político e financeiro de São Vicente como moeda de troca com o Funchal. Ele não é a vítima; é o arquiteto de uma transição de poder silenciosa.
Fábio Costa e Helena Freitas tentam vestir o manto da integridade, mas as suas ações são obscuras. A resistência à internalização dos trabalhadores e a gestão nebulosa de gabinetes trancados não sugerem «proteção de dados», mas sim uma tentativa desesperada de esconder o rasto de negociações paralelas. A insinuação de que foram «comprados» por interesses empresariais ligados ao PPD-PSD para bloquear a autarquia é uma mancha indelével. Entre o “BMW encomendado” e a “procuração para votar contra”, o que vemos não são servidores do povo, mas agentes que parecem ter encontrado um preço para a sua lealdade. A sua resistência tardia e o aparecimento de sinais de riqueza ostensiva sugerem que a sua consciência foi despertada por uma oferta melhor de grupos económicos ligados ao regime. A «prisão» política de São Vicente deve-se a estes dois que, ao trancarem gabinetes, revelam que a transparência é o seu maior medo.
Em São Vicente, o Presidente serve um projeto partidário externo, os vereadores servem interesses económicos ocultos e o jornal serve a quem lhe paga a tinta para difamar. A população está perante a necessidade urgente de se libertar desta «prisão» de mentiras cruzadas. O equilíbrio foi destruído pela ganância de três partes que fingem lutar entre si, enquanto o povo paga a conta das suas vaidades. A renúncia deve ser de uma forma de fazer política que trata o município como uma empresa privada e os cidadãos como meros figurantes de um «circo» mediático.
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