- https://www.dnoticias.pt/2026/3/20/485567-chuva-e-vento-forte-provocam-estragos-no-porto-santo/
- https://www.jm-madeira.pt/ocorrencias/veja-imagens-daquilo-que-parece-ser-um-tornado-a-passar-pelo-porto-santo-IG19860899
A
É com céu limpo que se reforçam os telhados. Preparar a tempestade quando ela chega é gerir o caos; prepará-la agora é garantir a segurança.
Não precisamos de alarmismo, mas de consciência e novos hábitos. A inoperacionalidade crescente no nosso aeroporto é o termómetro técnico de que o vento está mais caprichoso e frequente. Para o cidadão comum, a adaptação começa em casa e na comunidade. Não há lugar a desleixos ou projetos pouco resistentes.
Precisamos de olhar para as nossas casas e infraestruturas com outros olhos e recordar o que há tão pouco tempo ocorreu na zona centro do nosso país. O que era "suficiente" há dez anos, pode não aguentar as rajadas de hoje. Reforçar fixações, rever escoamentos e escolher materiais mais resistentes é, agora, um investimento essencial. Isso é resiliência, a mesmo que nos foi aconselhada pelo apagão no continente ou agora com a guerra a aumentar o preço dos combustíveis.
Não precisamos de inventar a roda. Regiões habituadas a fenómenos extremos já têm soluções de construção e de alerta que podemos e devemos importar para a nossa realidade. Uma situação que observo é que os microclimas da Madeira são deverás traiçoeiros. O alerta era para todos, mas o episódio foi no Porto Santo. As previsões têm nuances e podem surpreender.
O Porto Santo foi o aviso de ontem. Amanhã pode ser a encosta sul ou a costa norte. Manter o hábito de verificar as condições de segurança das nossas propriedades antes das épocas de maior instabilidade deve tornar-se parte da nossa cultura. Reforçar no Verão e aprumar para o Inverno é outra. Não sou vidente, tenho escrito para o Madeira Opina. É preciso olhar para as evidências cientificas sem políticos e sem negacionistas, quem for nessa conversa será surpreendido.
A natureza está a dar-nos o tempo necessário para reagir, para nos preparar, mas esse tempo não é infinito nem negligenciável. A Madeira sempre soube moldar a rocha para sobreviver, agora, precisa de moldar os seus hábitos para conviver com um Atlântico mais incerto, a aquecer, a trazer tempestades mais enérgicas.
Vi um Plano de Recuperação e Resiliência à mercê da ganância e dos falsos projetos em vez de respeitar a sua designação. Deveria ter servido para elevar o grau de Resiliência dos madeirenses perante pandemias, meteorologias e crises.
Acha que as nossas entidades e os próprios cidadãos estão a levar a sério estes sinais, ou ainda vivemos na ilusão de que na Madeira não acontece nada? Ontem foi 20 de março.
Nota: a imagem que envio foi retirada do JM.
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