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É revoltante e, infelizmente, um exemplo claro de como a "partidocracia" muitas vezes se sobrepõe à urgência da saúde pública. Quando olhamos para uma manchete "Maioria 'trava' rastreio do cancro do pulmão", fica evidente que o jogo político no Parlamento madeirense tem prioridades que não batem certo com as necessidades de quem está no terreno. Têm dito que o Miguel Albuquerque não governa para os madeirenses, tirem as vossas conclusões com as duas notícias.
O cancro do pulmão é uma das doenças com maior taxa de mortalidade e o diagnóstico precoce é a única arma real de sobrevivência. É esta a razão da proposta. Ver uma iniciativa ser rejeitada não por falta de mérito técnico, mas por uma questão de correlação de forças (PSD/CDS-PP vs. PS/JPP/CH/IL), é reduzir a vida humana a uma contabilidade de votos. Quero enviar esta mensagem ao CDS, quando surgir novas Regionais não regressem com aquelas propgandas ridículas em favor dos madeirenses. O CDS é pior do que o PSD, usufruem desalmadamente, não modera o PSD.
A justificação da maioria de que o rastreio já é prioridade e está em "fase de preparação técnica" soa sempre a uma manobra dilatória. Para quem espera por um exame ou um diagnóstico na Madeira, o tempo da política, que se arrasta em "estudos" e "protocolos", é um tempo que muitos não têm. Não bastava faltarem medicamentos de combate ao cancro na farmácia do hospital? O artigo menciona que o SESARAM já dispõe de equipamentos (tomografias de baixa dose) e meios. Se os meios existem, a barreira deixa de ser financeira ou técnica e passa a ser puramente administrativa e política. Rejeitar um projeto-piloto quando se afirma ter a capacidade para o fazer é uma incoerência difícil de explicar ao cidadão comum.
Quanto ao golfe, o contraste de prioridades é uma aberração, a crítica escreve-se sozinha. Enquanto um projeto de rastreio de saúde é travado por questões "técnicas" e orçamentais, o Governo Regional autoriza uma despesa de:
- 2 milhões já em 2026.
- 4 milhões em 2027.
- 30 milhões em 2028.
É inevitável perguntar, este dinheiro dá para quantos rastreios, quantos médicos e quantas cirurgias? A sensação de que Albuquerque governa para uma elite é reforçada por este tipo de "investimento estruturante" que beneficia um nicho muito restrito. Miguel Albuquerque vai ver a "máquina" a Lisboa, disse ele ao seu amigo Bispo Brás, nem assim sente motivação para investir mais na Saúde Regional em vez da aberração das prioridades do seu Governo?
O custo de 36 milhões para um campo de 18 buracos numa zona como o Faial/Santana é um investimento público massivo, mas o retorno direto para a população local costuma limitar-se a empregos de baixa qualificação (manutenção e serviços). A planta mostra uma área enorme (Lombo Galego, Ressoca, etc.) onde atividades tradicionais foram proibidas para proteger a obra. O povo da zona fica impedido de construir ou explorar terrenos para que o "turismo desportivo" avance, com certeza a promoção dos amigos de Albuquerque também. É tudo tão descarado.
Albuquerque é um Trumpzinho ilhéu, há uma fixação em infraestruturas de luxo (campos de golfe, hotéis, grandes obras) como símbolos de "sucesso" económico, ignorando que o "sucesso" muitas vezes não goteja (trickle-down) para as classes média e baixa, antes escraviza-as num modelo que produz pobres.
Albuquerque governa-se e governa para quem pode pagar o green fee, enquanto as necessidades básicas, como a saúde pulmonar, são tratadas como "custos" a evitar.
Uma palavra para a Opinião Pública:
O papel da Opinião Pública é colocar a "partidocracia" de parte e ir ao "osso", quando os políticos "travam" no hemiciclo, a rede e o escrutínio público têm de "acelerar".
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