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Concursos públicos na Madeira: mérito ou cartas marcadas?

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A ACIN no DN e a JPP também tem papelinhos.

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á sabemos a razão das recentes rusgas, a ACIN sai no DN porque no JM seria sacrilégio, na CMSC agora vão ter que aturar o Chega a disfarçar São Vicente com a narrativa dos tachinhos. A Polícia Judiciária (PJ) realizou buscas em serviços do Governo Regional e na Câmara Municipal de Santa Cruz. Estão em causa dois inquéritos distinto. No Governo Regional (Instituto de Mobilidade e Secretaria de Equipamentos), Investiga-se a adjudicação de um serviço informático de gestão de contraordenações à empresa 'ACIN - iCloud Solutions', por cerca de 395 mil euros (+IVA). Suspeita-se de recebimento de "luvas" e viciação do contrato. Já na Câmara de Santa Cruz, investiga-se a admissão de quatro assistentes técnicos num concurso aberto em 2024. Há suspeitas de que o processo tenha sido viciado para favorecer candidatos específicos. Não há arguidos nem detidos até ao momento. O Ministério Público investiga crimes de participação económica em negócio, abuso de poder e prevaricação.

Se levarmos isto com um pouco de humor, digamos que parece que não há ninguém com água para se lavar na política madeirense, governo, autarquias, partidos. A frequência com que a PJ entra em instituições públicas na região começa a criar uma fadiga ética no eleitorado. Penso que desligam porque normaliza, o que é mau. Quando buscas se tornam rotina, o risco é a opinião pública tornar-se indiferente, é do mais perigoso para a democracia. Penso que já estamos assim.

No PSD tudo isto é vulgar, recalcado, de uma dimensão que já é rotina. Por isso se nota mais nos outros que pregam moralismo. A investigação em Santa Cruz generaliza o clientelismo. A suspeita de que empregos públicos são "desenhados" para pessoas específicas mina a confiança dos jovens qualificados nas instituições regionais. E não são poucos. Curioso que quanto mais fracos estão os quadros dos partidos, mais se empregam.

No caso da ACIN é um habitué da desconfiança no sucesso, levanta o debate sobre a transparência nos contratos de software. Gastar quase 400 mil euros em serviços informáticos sob suspeita de suborno é um golpe na imagem de modernização que o Governo tenta projetar. Afinal anda a gastar dinheiro que vai chegando pelos amigos?

Pelo menos e desta vez, o facto de não haver arguidos permite aos partidos envolvidos usar o argumento da "presunção de inocência", mas o dano político imediato é inevitável. A justiça é lenta, mas a perceção pública é instantânea.

Em quem deve acreditar o eleitor?

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