Racionamento e eficiência antes da crise dura na energia.
C
omo sabem, o Presidente da EEM, o Engº Taboada, disse que na Madeira nunca havia apagões como os do continente, porque aqui resolve-se tudo no máximo em 15 minutos, uma afirmação pujante e cheia de confiança que nos permite beber poncha descansados.
Não faço ideia de onde vem tamanha confiança, se é que a ilha não passa por ventos e temporais, se o poço de petróleo encontrado em tempos junto à Gaslink é uma garantia superlativa à madeirense ou se a sorte que Eduardquinho é uma bênção de que nenhum turista a mais lhe faltara a luz, até porque as rent-a-cars são fósseis.
Outros lugares bem menos eloquentes e bons gestores da coisa pública já tiveram que correr atrás do prejuízo. Eu tenho que pensar ao ponto que eles chegam, a Madeira qualquer dia vai exportar 200 gestores públicos, como a Ucrânia mandou para os países do Golfo para abater drones, só para ensinar com se garante 15 minutos de máximo para qualquer quebra de energia, mesmo que a lagoa do pico da urze deslize de vez.
Vejam só o que acontece naquele país subdesenvolvido chamado Coreia do Sul.
- 1. Existe racionamento de transportes (sistema de rotação). Regressou do sistema de rotação de 5 dias (semelhante ao que Seul usou no passado para o trânsito, mas agora focado no combustível). Todos os veículos do governo e instituições públicas são divididos em 5 grupos, baseados no último dígito da matrícula. Cada grupo está proibido de circular num dia útil específico da semana. No setor privado, o governo "aconselhou vivamente" as empresas e cidadãos a adotarem o mesmo sistema. Se o alerta subir para o Nível 3, esta restrição tornar-se-á obrigatória para todos. As exceções são para veículos elétricos e a hidrogénio estão isentos para incentivar a transição rápida. Eu acho que também devemos exportar donos de rent-a-cars na Madeira.
- 2. Existe a gestão da produção de eletricidade para poupar o GNL (Gás Natural Liquefeito), que é escasso e caro. Cinco reatores que estavam em manutenção foram instruídos a acelerar o regresso ao serviço. O objetivo é que a energia nuclear assegure 80% da base da matriz durante a crise. Foram suspensos temporariamente os limites de emissões e as restrições sazonais às centrais a carvão. Elas podem agora operar a 100% da capacidade (estavam limitadas a 80% para reduzir a poluição). Tudo isto para a meta de cortar o uso de gás na geração de eletricidade em 20% imediatamente.
- 3. Existe a eficiência e gestão de procura. O governo identificou que as 50 maiores empresas do país consomem mais de 90% do petróleo industrial. Estas empresas foram obrigadas a desenhar planos de corte de consumo sob pena de sanções. As grandes corporações e organismos públicos foram instruídos a alterar os horários de entrada e saída dos funcionários para "espalhar" a procura de transportes e energia, evitando picos de consumo. Até parece o GR com os turistas. Há um corte drástico em iluminação desnecessária em edifícios públicos e monumentos, além de limites rigorosos de temperatura nos escritórios.
- 4. Existe controlo de preços e reservas, foi imposto um limite máximo aos preços dos combustíveis nas bombas para evitar a especulação. Seul já libertou cerca de 22 milhões de barris das suas reservas estratégicas para manter as refinarias a funcionar. É agora ilegal as empresas armazenarem derivados de petróleo para lá do estritamente necessário para a operação imediata (combate ao açambarcamento).
Com sabem, a Covid deixou ensinamentos sobre como ser eficiente, comos somos um Povo Superior fizemos ao contrário. Como temos aquele poço de petróleo seco da Gaslink ninguém pensa ainda em implementar ações preventivas, até porque domingo próximo vamos todos parar o carro no Largo do Município para orar pela saúde do pato Donaldo e dos furos do Irão. Ninguém pensa na restrição de circulação de veículos privados em dias alternados para cortar o consumo de combustível de imediato. Quer dizer, só se for aos madeirenses como se fez no preço da água, mas nos turistas não se toca, olha o PIB. Ninguém vai tratar da pedagogia deste povo sereno com a implementação de quotas rígidas por condutor (ex: 15 litros/semana para carros), controlados por códigos QR ou cartões digitais. Ninguém vai voltar aos tempos da Covid com a adopção generalizada do teletrabalho e fecho de escolas/serviços públicos um dia por semana para reduzir gastos com iluminação, climatização e deslocações.
Como não foi dinheiro para a Madeira não foi notícia, mas a Comissão Europeia emitiu esta semana (23 de Março) um alerta urgente para acelerar o enchimento das reservas de gás, que estão em níveis baixos (abaixo de 30% em alguns países) após um inverno rigoroso. Na Madeira alerta de gás só na recruta dos mancebos "gás, gás, gás"... por algum míssil de algum navio pacífico da Rússia a mapear os cabos submarinos.
Felizmente somos uma ilha e podemos continuar a ter um governo não solidário com ninguém, é que a Comissão Europeia também abordou a partilha solidária, um mecanismos onde países com mais reservas são obrigados a partilhar com vizinhos em situação crítica dos combustíveis que dispõem. Mas tem outra que o GR nunca implementaria ao dono do Gás e dos Combustíveis na Madeira, o teto de preços. Uma medida para fixar preços máximos no gás e eletricidade, mas com uma condição, quem recebe o subsídio é obrigado a reduzir o consumo.
A piada desta terra à margem do país é que Portugal, aqueles gajos além mar, está "perto dos critérios" para declarar oficialmente a Crise Energética. O governo aprovou a 19 de março de 2026 um novo quadro legislativo, mas parece que na Madeira só se lê dinheiro a receber. Em caso de crise declarada, o Governo poderá fixar preços de eletricidade e gás abaixo do custo para famílias e PME (limitado a 80% do consumo médio anterior, para forçar a poupança nos restantes 20%). Aqui Albuquerque fica desvairado e a espumar. Mas há a outra parte positiva, pode-se fazer licenciamento "expresso" para projetos de solar e eólico para injetar energia na rede o mais rápido possível. Os amigos que estão à mercê dos chatos dos ambientalistas podem ajudar o Taboada no 15 minutos se não caírem torres da alta tensão.
Vocês sabia que em litígios de faturação durante a crise, o corte de energia fica proibido para proteger os consumidores vulneráveis? Ninguém fala nisto!
Querido Taboada, para além das imposições, a tendência é a personalização da poupança, onde está o trabalhinho da EEM? Onde estão as tarifas dinâmicas? Pois a energia é monopólio. As empresas (como a EDP ou Iberdrola) estão a lançar planos onde o preço muda hora a hora. O consumidor usa apps de IA para programar eletrodomésticos para as horas em que a energia sobra (ex: madrugada). E então esta pedagogia superior?
Não ensinem isto a muita gente, mas as pessoas poderiam fazer comunidades de energia, na prática são bons vizinhos que partilham painéis solares e baterias, gerindo o consumo em bloco para evitar comprar energia cara à rede nos picos da noite. Cof cof cof, se o Taboada lê isto sai um F&%$? d@ P#$%
Já não vamos a tempo do PRR que o GR comeu sozinho para campanhas massivas para substituir caldeiras a gás por bombas de calor e isolar janelas, roturas térmicas passivas em telhados e paredes com financiamento estatal imediato. Mais uma oportunidade perdida, mas o PIB aumentou.
Nem sequer o mínimo? Apelos ao teletrabalho obrigatório no setor público. Redução da iluminação pública e de monumentos após as 22h. Limites de temperatura em centros comerciais e edifícios de escritórios. O objetivo não é apenas "poupar", é "gerir a escassez". Nem que seja por pedagogia para o Povo Superior ficar ainda mais com a poncha na mão.
Tudo isto será resolvido como sempre na Madeira, espera-se que passe. Como o Eduardquinho e o seu plano de contingência.
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