Há casos esporádicos na Madeira, que ninguém sabe a origem, portanto o meu texto pretende falar se haverá mais através do contexto internacional.
A
É assim, com um parágrafo, que já apontamos às políticas erróneas e insustentáveis de Eduardo Jesus. Mas tenho que explicar mais para que não me interpretem mal.
Durante décadas, a meningite (especialmente a meningite C) foi o terror das famílias portuguesas. A introdução da vacina no PNV em 2006 alterou drasticamente o panorama. Portugal passou de centenas de casos anuais e mortes frequentes para uma situação de controlo quase total. A vacinação gratuita e universal criou uma "barreira de fogo" que protegeu gerações. Foram as vacinas, sem sombra para dúvidas.
No entanto, o termo "extinção" é traiçoeiro. A bactéria (Neisseria meningitidis) não foi erradicada da face da terra, permanece em circulação, aguardando brechas na cobertura vacinal ou com a introdução de novas estirpes.
Temos ouvido alertas desde o Reino Unido, isso implica a importação de surtos. Recentemente, o "Reino" enfrentou um aumento preocupante de casos de meningite do grupo B e W. A elevada mobilidade internacional e a presença de grandes comunidades de países onde os planos de vacinação são inexistentes ou ineficazes criaram focos de contágio.
Já estão a compreender a irresponsabilidade de Eduardo Jesus? Com o turismo massivo aumentou a circulação, a imigração e a residência de estrangeiros de países com fraca cobertura de Saúde, mas também de países desenvolvidos, como os EUA, onde ... como diria António Variações ... quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga. O negacionismo mata e propaga.
O problema não reside na nacionalidade, mas na ausência de histórico vacinal. Países com sistemas de saúde colapsados ou sem recursos para incluir as vacinas mais recentes (como a MenB ou a MenACWY) tornam-se exportadores involuntários de agentes patogénicos. Quando estas pessoas chegam a destinos com elevada densidade populacional, como centros urbanos ou ilhas turísticas, a porta para o surto abre-se. A Madeira: tornou-se, sem dúvida, num microcosmo de risco (turismo e imigração).
A Madeira vive uma situação peculiar que exige um plano de contingência sanitária rigoroso, mas não o peça ao Eduardo Jesus que nunca está para os problemas, plano de contingência é sempre bluf. Mas também por um serviço de saúde politizado que é uma negação sobre a negação. Recebemos milhares de cidadãos de países onde o "negacionismo vacinal" cresce. O exemplo dos norte-americanos que se instalam na Madeira é pertinente se abordar. Muitos vêm de estados onde as "isenções filosóficas" à vacinação são comuns. Um residente não vacinado é um elo fraco na corrente de segurança da ilha.
A chegada de novos residentes de países fora da UE, sem verificação imediata do boletim de vacinas, coloca pressão sobre o SESARAM. Se um imigrante chega de um país com fraca assistência de saúde, ele entra num sistema que assume que todos estão protegidos, o que nem sempre é verdade.
O aparecimento de casos isolados na Madeira serve de aviso. A bactéria não viaja sozinha, ela viaja em aviões e instala-se onde encontra organismos vulneráveis. Muitas vezes, as autoridades focam-se nas "medalhas" de ter um sistema de saúde moderno, mas falham na base, a vigilância nas fronteiras sanitárias.
Para os turistas não há controlo ou exigência de imunização.
Para os residentes estrangeiros é fundamental que a integração passe obrigatoriamente pela atualização do PNV português. Devem se submeter às regras do país. A imigração é necessária para a economia (low costs), mas sem um rastreio de saúde eficaz, corremos o risco de importar doenças que considerávamos "vencidas". A liberdade de movimento não deve atropelar o direito da comunidade à segurança biológica. Não ouço absolutamente nada a este respeito na Madeira. Quer dizer, de repente aparece propaganda...
A proteção da Madeira passa por exigir que quem nos visita ou quem aqui decide viver, respeite os padrões de saúde pública que tanto custaram a atingir.
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