S
Acho a resposta comum da União Europeia acertada, de não colaborar e se dar o respeito, uma mensagem, mesmo que depois muitos tenham que se juntar para resolver a situação.
Mas estaremos nós consumidores condenados a pagar a crise e financiar a guerra em última instância. Não creio, porque somos donos da nossa decisão, por muito que custe. Em conjunto, o mercado, pode retornar o problema aos provocadores e de quem pensa lucrar.
Há poucos tempos tivemos uma lição do consumidor europeu ao "extrema-direita" Elon Musk, homem mais rico do mundo, quando quis insultar e interferir em tudo na Europa. As vendas da Tesla caíram a pique e a BYD que vinha pujante acelerou ainda mais. É um exemplo clássico de como a elasticidade (palavra azarada) da procura e a reputação da marca podem ditar o sucesso ou o fracasso de uma empresa quando o consumidor decide "votar com a carteira". Quando os consumidores percebem que estão a ser manipulados ou que os valores da marca já não alinham com os seus, a transferência de consumo para a concorrência é a arma mais letal.
Temos mais uma crise, a fortuna de Trump parece um foguete rumo a órbita, para inverter o ónus da "guerra de preços" e passá-lo para o retalhista, o consumidor precisa de agir de forma estratégica e, acima de tudo, coletiva, para travar a subida de preços. O objetivo é transformar um produto de "necessidade" num produto de "stock parado", forçando o retalhista a baixar a margem de lucro para escoar mercadoria. É a nossa maneira de dizer que afinal o problema também é deles e nem tudo se resolve com o consumidor a pagar.
Nós já temos o Madeira Opina que pode ser o centro das instruções, depois é preciso agir em conjunto e passamos à "dieta da marca", uma substituição radical. Como? Primeiro identifica-se um produto que subiu abusivamente os preços. A estratégia não é deixar de comer ou usar, mas sim transferir 100% do consumo para a Marca Branca ou para um concorrente direto que não tenha acompanhado a subida. Isso cria um desequilíbrio no inventário do retalhista.
Quando o retalhista ou marca perceber que não é vez única e que os consumidores têm essa atitude terão terror de ser "dieta da marca", é porque pode ser como a Tesla que nunca mais recuperou.
Também podemos fazer greve de consumo programada. Escolhemos um dia da semana ou uma semana do mês para não entrar em determinadas superfícies comerciais. Recentemente, na Suécia (2025/2026) e na Croácia, grupos de consumidores organizaram boicotes massivos a supermercados específicos, forçando os governos e as cadeias a negociar tabelas de preços máximos. E não é que temos esse problema de carestia nos supermercados com concertação e vista grossa da ARAE...
Podemos também monitorizar a "reduflação" (Shrinkflation). Ainda há dias vim um consumidor falar do papel higiénico da marca continente no Madeira Opina, è a situação em que retalhista mantém o preço mas diminui a quantidade (ex: um pacote de batatas que passa de 200g para 170g pelo mesmo valor), no caso do papel higiénico foi mudança de embalagem e redução de quantidade mantendo o preço sob mesma designação. O problema foi quem tinha em casa a versão anterior e topou. A estratégia aqui é expor estas marcas nas redes sociais. A exposição pública retira o "prémio de marca" e obriga-os a repor o valor real.
Que mais podemos fazer? Compra direta e circuitos curtos, sempre que possível, saltar o intermediário (o retalhista). Comprar em mercados locais ou diretamente ao produtor retira o poder de fixação de preços das grandes superfícies. E podemos nos horticúlas na Madeira, então esse mercado do Santo? Abre ou não abre?! Os produtores de banana à beira da estrada junto às produções...
Temos todos smartphone, quase todos, menos os bandidos que são todos "idosos" com telefones básicos para não serem seguidos. Podemos usar aplicações de comparação em tempo real, ou seja, não comprar por hábito. Antes de colocar no carrinho, validar se o vizinho não tem o produto 20% mais barato. O retalhista só baixa o preço quando sente que a fidelidade do cliente "morreu". Os supermercados na Madeira têm preços concertados, por isso não entra mais ninguém para não rebentar com a panelinha, mas temos pequenos supermercados mais baratos e até cadeias de supermercados do tamanho de "conveniência". É preciso perder os costumes.
Além do caso recente da Tesla, houve episódios onde o consumidor dobrou o joelho aos gigantes. é preciso conhecer e ganhar uma união que pouco vejo na Madeira. O boicote à Arla na Suécia (sector laticínios) ocorreu depois de aumentos sucessivos no preço do leite, os consumidores suecos transferiram-se em massa para marcas menores e alternativas vegetais. A gigante Arla teve de recuar nos preços e lançar campanhas de "desculpa" para recuperar a quota de mercado.
O Caso Netflix com a partilha de contas é outra referência. Embora a Netflix tenha tentado impor taxas, em vários mercados periféricos a debandada de subscritores para a Disney+ e Prime Vídeo foi tão acentuada que a empresa teve de introduzir planos com publicidade muito mais baratos e promoções agressivas para estancar a perda.
Mas há outros casos nos "agiotas arrogantes" americanos, este menos conhecido, o boicote aos Autocarros de Montgomery (EUA, 1955). Embora por razões sociais, o impacto económico foi o que decidiu a questão. 75% dos passageiros eram negros, ao deixarem de andar de autocarro, a empresa de transportes entrou em colapso financeiro em poucos meses, provando que o poder económico do consumidor é a força motriz da mudança. Parece que os "apartheids" nos Estados Unidos saem caros...
Há um país sempre em crise que neste momento tem outro louco a governar, vamos para a Argentina e a "Guerra da Carne". Em vários momentos de inflação galopante, as associações de consumidores organizaram dias de "Carne Zero". Como a carne é um produto perecível, o retalhista não pode esperar; ou baixa o preço, ou o produto apodrece no balcão. O prejuízo do desperdício é sempre superior à perda da margem de lucro.
É preciso ter olho também nas fragilidades do comércio...
Podemos falar muito, mas nada se resolve com a típica atitude madeirense de não se ralar, não se unir, estar no comodismo, o deixa andar ... podemos ter influência no mercado, tal como na opinião pública.
P.S.: carros partilhados dá menos trânsito, divisão e custos e queda no consumo de combustível.
Nota do MO:
como não está online todavia, copiamos a publicação referenciada pelo autor:
Reduflação no papel higiénico

Reduflação (ou Shrinkflation)
D urante a Covid falaram no papel higiénico como situação cómica, o que numa situação de pandemia as pessoas valorizavam. Muitos se esqueceram de alguns pormenores do papel higiénico, era o mais barato e dá para mais situações do que o propósito principal.
Hoje regresso ao papel higiénico.
Estava habituado a comprar uns rolos de papel higiénicos compactos do Continente, bom produto, agora mudaram de imagem, mantém a inscrição, está mais caro e vem menos papel. Há muita forma de "roubar" e fazer dinheiro, os supermercados portugueses disputam o campeonato do chico-espertismo de roubar elegantemente. O problema é que não se ouve a ARAE fazer nada! Mas há uma explicação, a mesma que faz de mim mentiroso e a ARAE impotente.
Reduflação (ou Shrinkflation) é a "arte" de encolher o produto sem encolher o preço ou, aproveitar uma mudança de imagem, para aumentar o preço e reduzir a quantidade em simultâneo. Os supermercados tornaram-se mestres no "jogo psicológico" do consumo. No caso do papel higiénico ele continua "compacto", mas aumentaram o diâmetro do tubo de cartão central, o rolo parece do mesmo tamanho, mas tem menos voltas de papel. Também noto que diminuíram a gramagem: O papel fica ligeiramente mais fino e pouco importa a conversa do número de folhas. Como ainda tenho dos antigos rolos vejo tudo, também reduziram a folha em milímetros na largura, cortar 5mm em cada folha é impercetível para o utilizador, mas poupa toneladas de papel na produção.
Paralelamente houve "Rebranding" como disfarce, a embalagem está diferente. Mudar a embalagem é a oportunidade perfeita para "limpar" o histórico de preços na mente do consumidor. Limpar o "cadastro". Ao mudar o design, o supermercado interrompe a sua comparação direta com o produto antigo. Grandes artistas.
Não foi o caso, mas noutros produtos, muitas vezes a nova embalagem é desenhada para parecer mais moderna ou "sustentável" (usando menos plástico, por exemplo), o que serve de justificação moral para o preço ser mais alto, mesmo que o conteúdo seja inferior.
Na Madeira, e não só, vivemos o fenómeno do "preço inflacionado para dar desconto". O produto custa 2€, mas passa 80% do tempo em "promoção" a 1,49€. Quando querem subir o preço real, sobem o preço base para 2,50€. O consumidor continua a ver o selo de promoção, mas agora o preço "com desconto" é 1,70€... tenho um produto em mente... ladrões. A perceção de que se está a "poupar" bloqueia a análise crítica sobre o valor real do produto.
As marcas próprias são como os chineses "Copy-Paste" estratégico, eliminam as marcas que zelam pela imagem e a marca própria dá mais margem. Os supermercados usam os dados de vendas das marcas líderes para criar as suas marcas próprias. Colocam a marca própria exatamente ao lado do líder de mercado. Usam cores e tipos de letra semelhantes para confundir o olho. Garantem uma margem de lucro muito maior na marca própria do que na marca de fabricante, mesmo vendendo-a mais barato, porque controlam toda a cadeia de distribuição e não gastam em publicidade. E, depois, a de marca vai desaparecendo, a que tem a honra de manter os seu produto sempre igual. As marcas já estão em guerra com as linhas brancas por isso.
O grande problema é que, legalmente, a reduflação não é crime, desde que o peso líquido indicado na embalagem corresponda à realidade, o problema é o entretenimento que criam à volta, parecem os nossos governantes na imprensa. Se o rolo diz que tem 20 metros e tem mesmo 20 metros, as autoridades de fiscalização (como a ARAE) pouco podem fazer, porque a comparação com o produto anterior não conta. A lei protege a exatidão da informação, mas não impede que uma empresa decida vender menos por mais dinheiro. É considerado "liberdade de mercado".
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:




Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.