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A sintonizar estações...

O novo regime ao serviço dos velhos interesses…

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Afinal os argumentos de campanha é só para enganar o eleitor?

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 farsa encenada recentemente no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Vicente não é um ato de gestão; é o epitáfio da decência política e uma capitulação ética sem precedentes. José Carlos Gonçalves, ladeado pelos vereadores Fábio Costa e Helena Freitas, protagonizou um espetáculo de hipocrisia que envergonharia qualquer cidadão com memória. Estes autarcas, que ascenderam ao poder sob a bandeira da rutura com os «vícios do sistema» e as «redes de influência» do PPD-PSD, apresentam agora como um triunfo a replicação exata das práticas que outrora rotularam de corruptas e clientelares.

É intelectualmente ofensivo observar quem construiu uma carreira a atacar a «distribuição de envelopes» da anterior gestão, vir agora celebrar a entrega de 722.410,80 euros às mesmíssimas entidades. Ao manter o fluxo financeiro para as mesmas «Casas do Povo» e associações satélites, a atual gestão não promove a coesão social; compra a paz social com o dinheiro dos contribuintes, tal como os seus antecessores faziam. Esta distribuição massiva de verbas, em vésperas de ciclos políticos decisivos, é o oxigénio de um sistema que prometiam asfixiar, mas que agora alimentam com um vigor renovado e despudorado.

A proximidade operacional entre José Carlos Gonçalves e a linha política de Miguel Albuquerque é hoje impossível de camuflar. Esta estratégia de «reforço do apoio» é um ensaio óbvio para um regresso ao redil social-democrata. O autarca não governa como um opositor; governa como um herdeiro político que aguarda a oportunidade para formalizar a sua candidatura pelo PPD-PSD, traindo o mandato de protesto que o elegeu. É a «Camuflagem» perfeita para manter o status quo debaixo de uma máscara de mudança.

Os vereadores do CHEGA, Fábio Costa e Helena Freitas, tornaram-se cúmplices silenciosos desta deriva. Trocaram a transparência pela conveniência do cargo e pela proximidade aos interesses económicos que orbitam a Costa Norte. Prometeram reduzir a despesa pública opaca, mas acabaram a assiná-la. Em São Vicente, o povo acreditou ter escolhido a liberdade, mas recebeu apenas novas correntes fundidas no mesmo metal do passado. A máscara da mudança caiu; por baixo dela, resta a velha política de sempre, agora com novos e obedientes figurantes. Esta é a fraude política do século no concelho, um governo que critica o privilégio enquanto o exerce com uma voracidade sem limites.

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