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Tudo o que não queremos é um país governando como São Vicente

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ocês lembram-se do Donald Trump de campanha, o "bom" que ridicularizava toda a gente? Passados uns tempo cai por terra toda a propaganda, é uma perfeita besta, está a ser ridicularizado pelo narcisismo, ignorância, mentiras, etc. O equilíbrio de uma democracia é, muitas vezes, mais frágil do que parece, e a sua reflexão toca num ponto nevrálgico, a diferença entre a promessa do palco e do púlpito e a prática da governação.

Quando movimentos classificados como populistas saem da margem da crítica e entram nos centros de decisão, o escrutínio deixa de ser sobre o discurso e passa a ser sobre a competência técnica e a solidez institucional. O problema é não poder emendar logo e por vezes ter que gramar um mandato. E o mal que fazem no mandato?

O populismo alimenta-se de soluções simples para problemas complexos. No entanto, governar exige negociar orçamentos, respeitar a separação de poderes e lidar com a burocracia estatal. É neste terreno que as fragilidades costumam aparecer. Os simplistas encaram a realidade e, de certa forma, é por aí que começa o não respeitar as instituições democráticas.

Ao populismo falta de quadros aquilo que sobra na língua. Tudo o que não queremos é um país governando como São Vicente, muitas vezes, estes movimentos têm líderes carismáticos, mas carecem de equipas técnicas preparadas, são um flop. Depois, quando a governação falha, a retórica tende a desviar-se para o "sistema" ou "inimigos internos", em vez de assumir a responsabilidade administrativa. O que já acontece em São Vicente.

São Vicente é um exemplo de como a gestão local ou regional serve de barómetro. Quando a política se torna demasiado personalizada ou dependente de clientelismos e retórica de confronto, a eficiência dos serviços públicos e a transparência tendem a sofrer. A realidade embate no "simplismo". Quando esão habituados à palavra única, quando começam a gerir pessoas é um enfado.

Uma democracia saudável precisa de instituições que sobrevivam os homens. Se o modelo de governação é volátil ou autoritário, o prejuízo para as populações estende-se por décadas.

Figuras como Trump demonstraram que o objetivo, por vezes, não é apenas ganhar um mandato, mas alterar as regras do jogo (sistema eleitoral, tribunais, comunicação social) para dificultar a alternância. Essa é a tentação do "simplismo" do Chega, para saber e poder governar à sua maneira.

Quatro anos de má gestão podem significar o retrocesso de dez anos em termos de investimento, reputação externa ou coesão social. Nem sempre há mecanismos para eleições intercalares, e o gramar com uma má escolha é um preço alto para a estabilidade de um país ou região.

O voto é importante para participar na decisão, e a responsabilidade da escolha é outra ponderação. Alguns vão por impulsos e não pensam para escolher.

A democracia não é um sistema que garante bons resultados, mas sim um sistema que garante o direito de escolha. Se a escolha é feita com base na emoção do "chega de tudo" sem olhar para o "o que vem depois", o risco de paralisia governativa é real.

A história recente mostra que o populismo no poder ou se institucionaliza e modera (perdendo a sua essência "anti-sistema") ou radicaliza o conflito para esconder a sua incapacidade de gestão. A memória e a atenção aos detalhes da governação local são as melhores armas contra escolhas que podem hipotecar o futuro.

O Chega em São Vicente está a ser um lembrete sobre o que é verdadeiramente o Chega. Parem de dar cabo da democracia e do futuro, sejam muito mais exigentes com os eleitos, com todos, PSD, CDS, Chega, PS, JPP, os que governam alguma coisa em vez de uma revolta básica.

Não votem em gente que roda por todos os partidos, são oportunistas? Não sociáveis? Sem maturidade? Levianos? Que ideologia têm? O EU?

O Chega está a dar cabo a experiência da oposição em São Vicente.

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