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Uma família madeirense que viva do salário mínimo não vive com dignidade. Sobrevive. Conta moedas, atrasa decisões, corta na alimentação, aperta na educação, adia a saúde e chama “gestão” ao aperto permanente. É aqui que o Governo Regional falha, e falha há demasiado tempo. Miguel Albuquerque e os sucessivos governos regionais normalizaram uma economia de ordenados pobres, de dependência e de resignação. O resultado está à vista, trabalhadores que trabalham muito e recebem pouco; famílias reclusas ao mês seguinte; jovens empurrados para a emigração; e uma ilha onde o discurso oficial fala de progresso enquanto a vida real fala de sufoco.
Convém dizê-lo sem verniz, isto é uma fábrica de pobres. Não porque falte trabalho. Falta um salário justo. Não porque falte esforço. Falta poder de compra. Não porque lhe falte mérito. Falta uma política que pague a vida pelo que ela custa. Um casal com filhos, casa, luz, água, comida, escola, combustível e alguma margem para emergência necessita de cerca de 5.000 euros líquidos por mês para viver com normalidade e dignidade. Abaixo deste patamar, não existe vida estável; há contenção, desgaste e medo.
A pergunta que fica para os leitores e eleitores madeirenses é simples, querem continuar a aplaudir um sistema que vos mantém pobres ou exigem, finalmente, salários à altura da realidade? A dignidade não se improvisa. Paga-se. E 980 euros brutos não pagam nada.
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