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A sintonizar estações...

A barraca da Assembleia da República.

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 Assembleia da República ensinou a Câmara Municipal do Funchal o porquê do dever de comemorar o 25 de abril todos anos. Aparecem sempre palhaços, ilusionistas e equilibristas dentro da democracia. António José Seguro e José Pedro Aguiar-Branco apresentaram visões que, embora centradas na qualidade da democracia, chocam frontalmente quanto à origem do problema e à forma de o comunicar. 

António José Seguro, defendeu que a democracia corre perigo por falta de transparência financeira. Para ele, o problema é "físico" e institucional, o financiamento dos partidos é uma zona cinzenta que retira confiança aos cidadãos. A liberdade morre nos detalhes dos orçamentos não clarificados.

Já Aguiar-Branco argumenta que o problema é a "espetacularização". O descrédito não vem necessariamente das contas, mas do facto de a política se ter transformado num reality show. Para o Presidente da AR, a política perdeu substância porque se tornou entretenimento, focando no conflito vazio em vez do conteúdo.

O retive é que Aguiar-Branco acha que não se deve fiscalizar as contas dos partidos, e Seguro disse que a opacidade mata a democracia, onde há opacidade há injustiça. Aguiar Branco não quer que se fiscalize os partidos, é uma encomenda do PSD-M? O fisco não fiscalizou 90% das declarações dos políticos? Mas todas do cidadão comum até ao cêntimo? Foi tremenda a justificação do fisco, dizem que têm falta de pessoal, como ela e selectiva!

António José Seguro em alerta com tom grave, afirmou que a liberdade "não desaparece de um dia para o outro", mas sim aos poucos. É uma visão de corrosão interna causada pela opacidade e pela falta de ética de quem governa e se financia.

Aguiar-Branco vê o perigo na superficialidade. Ao criticar o formato de reality show (Ventura?), sugeriu que a política está a tornar-se irrelevante porque os protagonistas estão mais preocupados com a audiência e o impacto imediato do que com a longevidade das instituições.

António José Seguro propôs soluções concretas e legislativas. Pediu transparência total e um combate direto ao "facilitismo" no financiamento. É um apelo à limpeza do sistema.

Não pude deixar de pensar sempre na Madeira, GR e PSD-M.

Aguiar-Branco fez um apelo à ética da responsabilidade e ao comportamento. Sugeriu que é preciso devolver a dignidade ao debate político, saindo da lógica do "soundbite" e da polémica fácil para consumo mediático.

Aguiar-Branco isso é extensível à Madeira? Continuo a pensar na Madeira à luz desses dois discursos.

Seguro colocou o foco no dever do Estado em ser transparente para não enganar o cidadão (o cidadão como vítima da opacidade). Aguiar-Branco colocou o foco na forma como a política se apresenta ao cidadão (o cidadão como espectador de um espetáculo degradante).

Vi uma batalha entre a Substância (Seguro) e a Forma (Aguiar-Branco). Seguro foi ao osso, Aguiar-Branco desconversou. Poder-se-ia dizer que, enquanto Seguro está preocupado com quem paga as contas do partido nos bastidores, Aguiar-Branco está preocupado com quem faz o "teatro" no palco da Assembleia. Para o eleitor madeirense, a contradição é clara, de que serve ter contas transparentes se o debate é um circo? E de que serve ter um debate elevado se o dinheiro que o move continua escondido?

É o eterno dilema entre a ética do dinheiro e a ética do espetáculo.

Convido a ver os dois vídeo para tirarem as vossas conclusões. Incrível.

Presidente da República:


Presidente da Assembleia da República:

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