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A sintonizar estações...

A intimidação do deixa correr o carro.

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 sociedade, na sua essência, com estrangeiros incluídos, pode ser retratada na condução diária de um veículo, percebemos a inteligência, destreza e personalidade das pessoas. Cada vez mais alcoolizados na estrada! Antes de avançar ao que venho quero dizer que o silêncio dos bons não era consentimento, era paciência. Mas a paciência tem um fim. O que assistimos hoje nas estradas, o buzinão de revolta e demais manifestações, é o grito de quem se recusa a ser empurrado para fora da sua própria dignidade. A falta de civismo está a mudar os bons, fartaram-se.

Ainda mais um pormenor, a estrada não distingue o passaporte nem quer saber do estatuto dos carros caros, isso não lhes dá exceções a autoridade para abusos, antes exige o mesmo respeito pelo código e pelos costumes locais. O sentimento de impunidade de quem está 'de passagem' choca de frente com a resiliência esgotada de quem cá vive e trabalha todos os dias. Mas, nós por cá, que na vida vemos os golpes das cunhas e chico espertismo, também temos pecados e a atitude vê-se na condução.

Quem não conhece os chicos espertos que, não tendo prioridade, deixam correr o carro para lá do limite para intimidar e ganhar vantagem perante os outros que cumprem? Tal e qual como vemos nos oportunismos do dia a dia, onde também findaram as regras, e só existe a lei da selva e do mais forte. Acontece, até por sanidade mental, que os bons cidadãos estão cansados e a mudar, pude assistir à vontade de linchamento de um condutor destes abusadores há dias. As pessoas atingiram o seu limite de resiliência, de tolerância, de deixa andar, de ponderação, acontece porque ninguém se retrata e emenda e, por terem sucesso, outros repetem. Estas atitudes estão a tornar bons cidadãos piores do que os piores, para se darem ao respeito e para não serem sempre os parvos por serem civilizados.

A "chico-espertice" é viral. Quando um infrator não é travado pela "autoridade", ele envia uma mensagem silenciosa a todos os outros, "ser civilizado é ser totó". O perigo surge quando o cidadão cumpridor decide que, para sobreviver na selva, tem de aprender a morder. Por isso é que agora todos os carros começam a deixar correr...

O volante tornou-se o último reduto onde o egoísta acredita que as leis da convivência não se aplicam, esquecendo-se de que o asfalto é o espaço mais democrático, e perigoso, que partilhamos.

Este é um aviso a todos estes chicos espertos, residentes e estrangeiros, de que a atitude está a mudar e podem contar que atingiram o limite e que vão sofrer as consequências. Assiste-se à erosão dos bons, a falta de regras (cumpri-las) está a transformar cidadãos exemplares em agentes de retaliação.

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