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A sintonizar estações...

Depois da sociedade corrupta a economia de casino.

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A

lguém ainda não se deu conta de como somos inundados de publicidade de casinos online a partir de determinada hora da noite? Agora os viciados não são barrados à porta por um momento de lucidez na vida. Cada vez mais sinto que esta é a sociedade do golpe, do chico-espertismo, da cunha, dos errantes com continuas oportunidades enquanto qua classe média a definhar, sem aumentos de vencimentos, que paga tudo sem apoios como as classes mais baixas. Há classe média a viver pior do que classes mais baixas

Só nos faltava uma praga de casinos.

Com base na vida de golpes, a proliferação de casinos online só podia ser o passo seguinte. Com essa proliferação começaram novos problemas sociais de gente que se endivida pela calada, de alunos que adormecem nas aulas, etc. E como é lucro fácil para alguns, há um crescimento alarmante de problemas relacionados com o jogo online em Portugal, o aumento das reclamações e o perigo das plataformas não reguladas. Desculpem que diga, que falta de juízo, não têm nada de útil para fazer ao dinheiro? Ou é o dinheiro fácil, obtido de alguma for menos clara, a ser usado para diversão sem pudor comparativamente com aqueles que não o têm e lhes custa ganhar?

Em 2025, houve um aumento exponencial das reclamações relacionadas com casinos e casas de apostas online. Cerca de 28% das queixas foram dirigidas a operadores sem licença em Portugal. Os utilizadores reportam frequentemente dificuldade extrema em levantar prémios (o motivo de 72% das queixas). O bloqueio injustificado de contas. Esquemas de burla e falta de transparência. Parece que os investidores do Telexfree encontraram outro negócio similar e mais tolerado.

Segundo os dados disponíveis, a faixa etária mais afetada é composta por homens entre os 35 e os 44 anos (quase 50% das queixas), muitas vezes influenciados por publicidade agressiva e promoções de influenciadores digitais. As tais que a TV dá de forma contínua e avassaladora, a determinada hora quase sem qualquer outro produto. A ostentação e dinheiro disponível para pagar publicidade na TV deve ser compensadora, inclusive com figuras pagas.

É preciso literacia digital, poucos ou nenhuns falam disso. Aa expansão destas plataformas corre muito mais depressa do que a capacidade de educar a população sobre os riscos financeiros e psicológicos envolvidos.

Ao inundar a TV com anúncios de apostas em horário nobre ou associados ao futebol, o jogo deixa de ser visto como uma atividade de alto risco para ser encarado como um "entretenimento comum". Isto baixa as defesas, especialmente dos mais jovens e vulneráveis. Eu acho piada que produtos financeiros de risco sejam obrigados a dizer em alta rotação de que há perigo de perder o dinheiro, nas publicidades de casino não. Tem ou não piada?! Humor negro diria...

Gosto da palavra "gamificação", é para jogo mas de facto isto é que é "gamar", assim estamos na economia pessoal. Numa sociedade com salários baixos e custo de vida elevado, a propaganda vende o casino não como um jogo, mas como uma "oportunidade" de rendimento extra ou solução financeira rápida. É uma promessa falsa que alimenta o ciclo de endividamento.

Mas tem outra, numa sociedade apática, autómata, alheada e alienada, lúdica, sem pachorra de ler nada e onde a vida é um zapping e um scroll em busca de satisfação, só podemos ter uma erosão da saúde mental numa área onde os números já não são famosos. O vício do jogo (ludopatia) é silencioso e devastador. Uma sociedade que prioriza a receita fiscal proveniente do jogo em detrimento da saúde pública acaba por gastar mais tarde em tratamentos psicológicos, subsídios de desemprego e apoio a famílias desestruturadas. A menos que o Estado esteja a privatizar a Saúde... (foi uma boca, foi).

Quando grandes meios de comunicação e influenciadores dependem financeiramente do dinheiro das apostas para sobreviver, a capacidade crítica de denunciar os abusos fica comprometida. Portanto, toda a sociedade se vai ajoelhando, e eu que pensava que eram só os jornalistas, entre outros. Os sodomizados pela necessidade com capacidade de ter uma função pervertida e pensar que leva uma vida honrada. Pela maneira como não tocam neste assunto dos casinos online devem estar à espera das publicidades, por alguma forma, no online.

Uma sociedade dominada por esta propaganda dificilmente "dará certo" a longo prazo se não houver um equilíbrio. Pelo que vejo o sistema de queixas já está saturado e isso significa uma sociedade ainda mais doente, sem uma regulação mais estrita da publicidade (semelhante à que aconteceu com o tabaco) e um investimento sério em literacia financeira, o custo social poderá ser muito superior aos lucros do mercado das apostas.

Que gente louca.

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