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Madeira: pobreza cara, direitos baratos!

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 pobreza não é só falta de dinheiro. É falta de comida, casa, saúde, escola, voz e respeito. Na Madeira, essa violência é diária. Há famílias forçadas a escolher entre pagar a renda, encher a despensa ou manter os filhos na escola. Isto não é azar. É um modelo social que empurra os fracos para a margem e protege os de sempre no centro.

Enquanto se repetem discursos bonitos sobre progresso, a realidade sobe de preço a cada semana. Os combustíveis nas Canárias são 38% mais baratos. Abastecer 50 litros de gasolina na Madeira custa mais 24,9 euros do que em Las Palmas. No supermercado, a conta é igual: o cabaz alimentar essencial continua mais caro em Portugal do que em Espanha, muitas vezes entre 5% e 10%, e por vezes ainda mais nos bens básicos. Leite, azeite, carne, fruta, pão. Tudo pesa mais no lado português da fronteira. E pesa mais em quem já ganha menos.

Os dados de monitorização da DECO Proteste e da OCU mostram o óbvio que muitos fingem não ver: o custo de vida não cai do céu, é produzido por opções políticas. IVA, logística, concentração da distribuição, salários curtos e margens longas. Em Portugal, o “IVA Zero” foi temporário e limitado. Em Espanha, houve medidas mais amplas sobre produtos essenciais. O resultado está à vista: o mesmo carrinho custa mais aqui, e o salário rende menos. Essa é a verdadeira equação da pobreza.

Falar de pobreza sem falar de poder é só teatro. A pobreza também é exclusão política. É quando se pede silêncio aos que trabalham, resignação aos que sofrem e gratidão aos que já perderam tudo. É quando se normaliza a precariedade como se fosse destino. É quando se trata o direito à habitação como luxo, a alimentação como privilégio e a dignidade como propaganda.

Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável existem para acabar com isto: pobreza, desigualdade, exploração e humilhação. O direito à segurança e saúde no trabalho, à liberdade sindical, à igualdade de tratamento e a trabalhar sem escravidão, violência ou assédio não são favores. São linhas vermelhas. E a liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica tem de ser respeitada, sem polícia moral nem medo organizado.

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