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Durante anos, venderam-se cartões-postais com preços de luxo. Primeiro foram os Balcões. Depois o Pico do Areeiro. Depois o Cabo Girão. Sempre a mesma receita, vista bonita, bolso aberto, discurso fino e conta grossa. Agora chegou a vez do aeroporto entrar no clube. Já não é apenas uma porta de entrada. É um monumento ao atraso. Um museu do vento. Um parque temático da espera.
O turista chega com vontade de conhecer a ilha e acaba a conhecer a sua verdadeira alma, a desorganização. Fica na varanda, olha para o céu, vê o avião a recuar, e percebe uma verdade simples, na Madeira, o vento manda mais do que o plano. A meteorologia faz de chefe. A gestão faz de figurante.
E há aqui uma ironia muito útil. Quando tudo falha, alguém chama “experiência”. Quando o voo não aterra, chama-se “suspensão”. Quando o passageiro fica preso, chama-se “slow tourism”. Quando o aeroporto se torna sala de espera com vista, chamam-lhe “produto premium”. É bonito. É moderno. E é ridículo.
O Governo Regional parece ter descoberto uma nova ciência, transformar falhas em negócio. Se a estrada atrasa, há desculpa. Se a obra para, há promessa. Se o avião não entra, há varanda. Falta só meter uma bilheteira. Cinco euros para ver nuvens. Dez para ver uma tentativa de aterragem. E, com sorte, uma taxa extra para quem se atreve a respirar.
O problema não é o vento. O problema é a mania de fingir que o vento é culpa do céu e nunca da terra. A Madeira merece melhor do que este teatro. Merece ligação, respeito e trabalho. Não merece propaganda com vista para o vazio.
No fim, o novo miradouro não é um sucesso. É um retrato. E o retrato não mente, temos uma ilha linda, mas uma gestão que faz da vergonha uma atração turística.
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