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A sintonizar estações...

Depois dos estatutos eternizarem o presidente, toca a expulsar militantes.

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O PSD-M está orgulhosamente a perder tração para manter os quadros que não interessam ao partido, é para continuar a mingar. Força nisso!

C

aricato, enquanto uns são "empurrados para fora", outros, com processos graves na justiça, permanecem intocáveis, e até são reciclados, uma política de dois pesos e duas medidas. O partido utiliza o Artigo 9.º dos Estatutos para afastar quem se atreveu a integrar listas independentes ou adversárias nas autárquicas. É uma limpeza mecânica: "Não estiveste connosco, estás fora". É a aplicação fria da regra para manter o controlo das bases. O Putin faz assim, até colocam soldados na linha da frente com tiros dos inimigos pela frente e pelos amigos por trás, para atestar a carne para canhão.

Nem deixaram passar uns dias, existe um contraste gritante quando comparamos estas expulsões por "infidelidade partidária" com a manutenção de figuras de topo que enfrentam acusações graves nos tribunais. As acusações não são infidelidade aos eleitores e ao partido? Para os militantes de base que procuraram alternativas locais com o partido cristalizado, aplica-se a expulsão imediata, para a elite sob suspeita judicial, aplica-se o "aguardar pelo desenrolar da justiça". Pela mão do mesmo "democrata" que despachou a concorrência em eleições internas.

O PSD-M tenta passar uma imagem de renovação, falando na entrada de centenas de novos militantes para compensar as cinco dezenas expulsas. No entanto, o que este processo sugere não é necessariamente um crescimento, mas sim um afunilamento ideológico. E digam-me, o PSD-M que adora multidões para saírem nas fotos, teve um congresso low cost?

Ao afastar dezenas de quadros locais (especialmente em concelhos como São Vicente ou freguesias como Gaula) o problema vai multiplicar, o partido corre o risco de perder o contacto com o "sentir" das populações. Não ouve, os militantes viram costas e depois vêm com o show da expulsão. Quando a lealdade ao estatuto vale mais do que a integridade perante a justiça, a credibilidade começa a escassear.

Dizer que o processo é "absolutamente normal", na quantidade que se sabe, como faz Rui Abreu, é ignorar o elefante na sala. Num momento em que a Madeira vive sob escrutínio, expulsar militantes por questões de listas eleitorais enquanto se protege quem tem contas a prestar à justiça é, no mínimo, uma escolha arriscada. O partido pode não estar a "mingar" em números de fichas de inscrição, mas está certamente a sofrer uma erosão moral que, mais cedo ou mais tarde, terá consequências nas urnas.

A verdade é que a "disciplina" parece ser usada como uma arma de arremesso para os pequenos e como um escudo de proteção para os grandes. Este é mais um episódio.

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