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1 de abril de 2021, não foi peta, entrou um indivíduo ao serviço de Eduardo Jesus que provocou o turismo de massas que vivemos na atualidade. Se existe um que apela a três Salazares, eu diria que temos dois Jesus a espalhar as mesmas brasas do político mas, no turismo. Se 3 Salazares só seria pior a triplicar, dois Jesus é o desterro da Madeira a duplicar. Estamos no rumo de viciação do sucesso, por mais e mais, claramente técnico, mas nunca melhor, ou mais eficiente, sustentável, político, etc. Nem a "inteligência" de Albuquerque, para meter um travão com o Ambiente na mesma secretaria, surtiu efeito. O ambiente serve para a palhaçada da propaganda, o resto omite-se.
Vivemos um caos onde o madeirense está-se a "passar" e já há muitos sinais na estrada de que a hostilização vai chegar à violência. Os madeirenses estão cansados, saturados, estão irritados porque todos os dias vivem os mesmos abusos de um turismo de massas trazidos pelas low-cost que, esclareceram definitivamente, elas não trazem clientes que gerem o seu dinheiro, mas um bando de rascas de má formação, na generalidade. Eles transformaram por completo a forma como encaramos agora o turismo. Passamos da gentileza, do bem receber e atender, com prazer, gente de outro nível, para um volume que agora destrói tudo e que se atende por necessidade, porque não há mais remédio. Estragaram tudo e, como disse, a viciação do lucro não tem volta a dar, isto só acaba na parede, com um desastre, com um motivo de força maior, raros nas histórias de cada região ou país e que permite aos políticos mudar drasticamente o rumo.
Chegamos a um ponto onde os madeirenses sentem-se sufocados na sua ilha, banidos de lugares, pagantes no que é seu (sem qualidade nem razão no que outrora era gratuito). Cada vez menos apetece ir para a estrada, encontras literalmente bestas e, como os ânimos estão sempre acesos, é uma mistura explosiva. Esta gente, sinceramente, conduz assim nos seus países, e têm melhores rácios do que nós?
Sabem porque escrevi isto? Porque está mau e vai piorar.
Sabem quanto tempo de espera tem um carro de um madeirense para vir do continente para a Madeira? Dois a três meses. Sabem porquê? Porque um alto volume de carros de rent-a-car têm prioridade e marcação. Contratos do Sousa. Outro! Significa que vão continuar a meter carros de rent-a-car na Madeira a um ritmo avassalador. Isto é insustentável a todos os níveis! Não é um ritmo natural de adaptação. Não há espaço! A entrada de carros na Madeira não abrandou, na tal política de mais e mais, que não é política, não é uma gestão política mas sim uma gestão técnica de números para provar sucesso. Política atende ao bem estar e à qualidade de vida, temos tecnocratas a provarem que são "bons", e a destruir a Madeira.
Se vocês visitam as redes sociais como eu, devem conhecer os sinais de madeirenses ofendidos, irritados e a passar palavra sobre que comércio, bombas de gasolina, etc, onde não devem entrar. Porque marginalizaram os madeirenses porque os estrangeiros são intocáveis, mesmo asneirando feitos bestas. Estamos cada vez a nos dividir mais, entre claques da política, entre exploradores do turismo massivo e o cidadão comum e nativo desta terra. A hostilização a turistas vai se acentuar por falta de sabedoria, para não dizer incompetência na gestão do turismo, claramente rasca e com cartazes turísticos a decair (parabéns Raimundo Quintal). Os rascas só querem explorar a ilha e não usufruir. Faço me entender?
A contribuir para isto tudo, temos os "refugiados empresariais do turismo de massas, que saíram de destinos onde inverteram o turismo de massas, para se instalarem na Madeira, onde este é bem acolhido para investirem agressivamente na insustentabilidade do destino, AL's, rent-a-car, serviços clandestinos de apoio ao turismo vindo dos seus países, sem qualquer repercussão na economia da Região. Só exploração. Portanto, temos a fuga aos impostos ao estilo da América Latina, a acomodação de empresários do turismo de massas na Região, sem falar na lavagem de dinheiro, para os madeirenses restam vencimentos miseráveis, num custo de vida elevadíssimo, sem habitação e serviços públicos que não melhoram apesar das receitas.
A par disto, vemos os PDMs a serem suspensos para tornar a Madeira como as costas espanholas do turismo de massas. Por lá esgotaram a água potável, por aqui vai ser igual, porque toda a casa de milhão deve ter um "poço".
Que lindo cantinho do céu. Só uma pandemia, um 20 de fevereiro ou uma guerra para haver coragem, caso contrário vai ser cimento e insustentabilidade.
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