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| Círculo vicioso de quem quer parecer pertencer à elite. |
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Agora, à aritmética nua e crua. Um casal com 3.500€ brutos por mês, três filhos, uma casa de 600 mil euros, dois carros premium e férias na Riviera Maya não está a viver. Está a empilhar dívida sobre dívida. Mesmo com cerca de 2.818€ líquidos e um abono aproximado de 232€, o agregado mal sobe aos 3.050€ mensais. É pouco. Muito pouco.
Só a habitação consome 1.940,42€ de prestação bancária, seguro de vida e multirriscos. Os dois automóveis devoram 1.999,47€ em prestações. Acresce o combustível, o IUC e os seguros, e a mobilidade sobe para 2.524,59€. A educação dos três dependentes acresce 1.300€, propina do estudante universitário deslocado, quarto no Porto, alimentação, apoio escolar e creche. A rotina doméstica, supermercado, luz, água, internet, piscina, roupa e material escolar, leva mais 1.620€.
O resultado é brutal e simples.
- Despesa mensal total: 7.385,01€.
- Rendimento mensal; 3.050,07€.
- Défice: 4.334,94€.
- A taxa de esforço não é elevada. É descontrolada. Só as prestações fixas já esmagam o rendimento disponível. Isto não é classe média-alta. É consumo de vitrina financiado por fragilidade bancária.
Politicamente, o problema é antigo, demasiado discurso, demasiada pose, demasiada retórica sobre a prosperidade, e uma realidade obstinada feita de salários curtos, crédito longo e ostentação cara. Quem vende esta fantasia não está a governar com seriedade. Está a transformar a aparência em programa e a dívida em estilo de vida.
A conclusão técnica é inclemente, com estes rendimentos, esta vida não é sustentável. Sem cortes imediatos num automóvel, sem revisão da habitação e sem travão radical no lazer, o agregado entra em colisão com a insolvência pessoal. A matemática não tem compaixão. E, neste caso, também não tem dúvidas.
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