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Miguel Albuquerque, Frontline ou folheto?

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A entrevista já vinha escrita?

M

iguel Albuquerque deu recentemente uma entrevista à revista Frontline, onde apresentou a sua visão sobre temas estruturais da Região — do novo hospital à habitação, passando pelo turismo e pela fixação de jovens qualificados. Até aqui, tudo normal. O que fica por esclarecer é algo mais interessante, tratou-se de um convite editorial genuíno ou de uma oportunidade cuidadosamente construída paga a pronto pagamento? É que, quando o resultado parece tão desalinhado com a realidade, a dúvida fica no ar….

A recente peça da Frontline é um excelente exemplo de criatividade, um retrato tão polido, tão desalinhado, que quase nos faz acreditar que vivemos numa versão paralela da Madeira.

  • https://www.revistafrontline.com/grande-entrevista/58646/

Segundo o discurso apresentado, temos um novo hospital que avança sem sobressaltos (quem nunca ignorou pequenos “detalhes” como atrasos ou derrapagens?), uma política de habitação aparentemente eficaz (provavelmente invisível a olho nu), um turismo exemplar (imagine-se!????), e, claro, jovens qualificados a fixarem-se com entusiasmo na região (talvez numa dimensão alternativa, onde os salários e as oportunidades acompanham o custo de vida).

Mas o mais interessante não é a confiança quase absoluta numa única entrevista cuidadosamente filtrada, sem ruído, sem contraditório, sem aquele incómodo hábito jornalístico de cruzar factos. É uma abordagem elegantemente falsa, elimina-se a complexidade e sobra uma história limpa e… extremamente conveniente.

No fundo, não estamos perante jornalismo. Estamos perante storytelling institucional de alta qualidade. Quando a realidade precisa de tanta edição para caber numa narrativa, o problema está na realidade… ou na narrativa?

Fica a dúvida. Ou melhor, não fica — foi discretamente removida na edição final.

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