A entrevista já vinha escrita?
M
A recente peça da Frontline é um excelente exemplo de criatividade, um retrato tão polido, tão desalinhado, que quase nos faz acreditar que vivemos numa versão paralela da Madeira.
- https://www.revistafrontline.com/grande-entrevista/58646/
Segundo o discurso apresentado, temos um novo hospital que avança sem sobressaltos (quem nunca ignorou pequenos “detalhes” como atrasos ou derrapagens?), uma política de habitação aparentemente eficaz (provavelmente invisível a olho nu), um turismo exemplar (imagine-se!????), e, claro, jovens qualificados a fixarem-se com entusiasmo na região (talvez numa dimensão alternativa, onde os salários e as oportunidades acompanham o custo de vida).
Mas o mais interessante não é a confiança quase absoluta numa única entrevista cuidadosamente filtrada, sem ruído, sem contraditório, sem aquele incómodo hábito jornalístico de cruzar factos. É uma abordagem elegantemente falsa, elimina-se a complexidade e sobra uma história limpa e… extremamente conveniente.
No fundo, não estamos perante jornalismo. Estamos perante storytelling institucional de alta qualidade. Quando a realidade precisa de tanta edição para caber numa narrativa, o problema está na realidade… ou na narrativa?
Fica a dúvida. Ou melhor, não fica — foi discretamente removida na edição final.
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