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Notícias de encher chouriços vs comentários incómodos da oposição.

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O jornalismo "Revista", alienação por decreto.

O

 recorte do JM que envio é sintomático, fugiu a boca para a verdade, de como encaram a oposição. Mesmo sob a capa do humor ou do "desopilar", a mensagem é clara, ridicularizar a oposição porque ela "escreve sobre tudo". Curiosa esta posição, como deveria ser? Ora, num regime onde o jornalismo oficial se demitiu de investigar para passar a "gerir notoriedade", qualquer voz que use a caneta para questionar o sistema torna-se um alvo. O crime do Bloco, ou de qualquer outra força crítica, não é escrever muito, é ocupar o espaço que o poder quer ver preenchido com propaganda perfumada.

Na Madeira, a comunicação social transformou-se numa correia de transmissão de beleza institucional. Paga. As páginas são generosamente cedidas para "encher chouriços", destacando inaugurações e vistas, das mais variadas e absurdas, cortesia que, na verdade, são publicidade paga mascarada de notícia. É o jornalismo do regime, destaca-se a "beleza" do poder para cumprir as quotas da publicidade institucional, enquanto os problemas reais da ilha são empurrados para as notas de rodapé ou para o esquecimento.

Numa terra onde o despesismo de entretenimento colide com as necessidades da população e a corrupção por ajustes diretos deveriam fazer correr rios de tinta, as primeiras páginas de domingo parecem saídas de uma revista de lifestyle. Claro, não se toca nos patrões, por mais barraca que deem, até a plagiar! É uma escolha deliberada. 

Vivemos por decreto do jornalismo regional numa "ilha sem problemas de maior", povoada por uma gente superior confinada à estética do "está tudo bem".

O jornalismo madeirense cria uma massa de alienados e alheados. Se o jornalismo não incomoda, se não traz a notícia "chata", o cidadão desliga-se da realidade política. Substitui-se o pensamento crítico pelo consumo de "fait-divers", até porque na oposição só há inúteis.

Tudo isto está medido e confesso que burros são os da oposição que não querem entender que se metem na boca do lobo, no palco inclinado, na notoriedades sui generis. Enquanto os jornalistas do regime se dedicam a "vender" a boa disposição do Governo Regional + Partido (dose dupla) e a desprezar quem ainda tem o desplante de usar a caneta para opinar, a ilha vai ficando mais pobre de ideias e mais rica em propaganda.

A autonomia não acabou com o lápis azul, apenas trocou a cor do lápis pela cor do subsídio e do anúncio institucional. Que boa e descansada é a ilusão da revista de domingo.

Que tal ir saber porque o ADSE paga cada vez mais tarde em vez de trabalhar para o desaparecimento de partidos?

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