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O fenómeno do "Overtourism" na Madeira atingiu um ponto de saturação onde a qualidade de vida do residente é sacrificada para as estatísticas de dormidas. Se o crescimento desmedido do Alojamento Local (AL) transformou prédios residenciais em hotéis informais, o impacto mais visível desta política de "portas escancaradas" sente-se agora no asfalto. Falavam da Esquerda e o país de portas abertas? e esta cena da imigração e turismo desregrado e desmedido? O "Overcar" é a extensão inevitável deste modelo, uma região com geografia limitada a ser inundada por milhares de viaturas de aluguer que as nossas infraestruturas simplesmente não conseguem absorver.
Ao contrário do turismo de hotel, que muitas vezes utiliza transportes coletivos ou circuitos organizados, o turista de AL é, por definição, um condutor independente. Cada nova unidade de alojamento local que abre nas zonas rurais ou nos centros históricos equivale a mais um ou dois "rent-a-car" a circular. O resultado é o Overcar, parques de estacionamento naturais transformados em lixeiras de chapa, miradouros inacessíveis e uma Via Rápida que colapsa sob o peso de condutores que desconhecem a orografia da ilha.
Enquanto o governo regional fala em sustentabilidade (caricato), a realidade é um incentivo indireto ao uso do carro privado. Sem uma rede de transportes públicos que sirva eficazmente tanto o turista como o local, o carro torna-se a única opção. O "Overcar" é o símbolo do planeamento reativo, primeiro permite-se que o número de turistas ultrapasse a capacidade de carga da ilha, e só depois se tenta, inutilmente, gerir o caos rodoviário que daí advém. Elasticidade!
Não podemos falar de "Overtrash" sem falar de "Overcar". São duas faces da mesma moeda, a gestão deficiente da dupla Albuquerque/Eduardo Jesus, que parece ignorar que a Madeira tem limites físicos. A massificação do AL trouxe o carro para dentro de cada beco e de cada vereda, sufocando a mobilidade de quem precisa de trabalhar. Um trânsito insuportável de má condução e hesitações. É urgente passar da propaganda do "sucesso turístico" para a realidade da gestão de fluxos, antes que a ilha se transforme num parque de estacionamento gigante, onde ninguém, nem turista, nem local, consegue sair do lugar. Já acontece em muitos lugares!
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