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| Há pessoas no PSD-M que duram mais do que a sede. |
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Segundo esta leitura política, o seu mandato perdeu legitimidade desde 26 de maio de 2024. Ainda assim, insistiu-se na continuidade como se a vontade do eleitorado fosse detalhe e a alternância fosse um luxo dispensável. Numa República séria, o poder não é propriedade privada. Tem um prazo. Tem limite. Tem escrutínio. E tem de responder ao povo, não a círculos fechados de lealdade.
A Madeira não passou da tutela dos velhos senhorios para aceitar, em democracia, uma nova casta de senhores do regime. Trocaram-se os nomes, manteve-se a lógica: concentração de poder, rede de favores, culto da permanência e uma ideia muito conveniente de que só um homem “sabe governar”. Esse argumento é pobre. E é perigoso. Porque onde falta alternância, sobra servidão política.
O problema não é apenas a duração. É o que esta duração produz. Produz distanciamento. Produz arrogância. Produz uma máquina partidária fechada sobre si mesma, sem oposição interna real, sem renovação séria, sem ar. E quando um governo vive demasiado tempo da mesma fórmula, começa a confundir estabilidade com imobilismo, autoridade com abuso e liderança com posse.
Entretanto, os problemas concretos continuam à porta, habitação inacessível, salários curtos, serviços públicos pressionados, pobreza escondida atrás de propaganda e obras de vitrina. A prioridade parece ser sempre a mesma: agradar aos de cima, tranquilizar os interesses instalados e vender o resto como progresso. Mas não há progresso onde o povo continua apertado e a elite continua confortável.
A autonomia da Madeira nasceu para libertar, não para eternizar poderes. Nasceu para aprofundar a democracia, não para a transformar numa feira de fidelidades. A alternância não é fraqueza. É higiene democrática. E quando um sistema precisa de defender a permanência como inevitável, o que está em causa já não é eficiência. É captura.
Miguel Albuquerque não representa uma fatalidade histórica. Representa uma opção política que deve ser julgada como tal. E a pergunta, hoje, é simples: uma democracia que aceita poderes sem fim pode ainda chamar-se democrática?
O tempo do cargo pode continuar no papel. A validade política, essa, já expirou.
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