Exmo. Senhor Presidente da Câmara do Funchal,
A
Terá sido por poupança? Se foi, é uma gestão curiosa — cortar precisamente naquilo que não devia ter preço. Mas pronto, sempre é reconfortante saber que a liberdade também já entra em contenção orçamental.
Ou então foi uma decisão mais… estratégica. Afinal, o 25 de Abril tem esse defeito chato de lembrar às pessoas que podem questionar, criticar, exigir. E isso, convenhamos, complica qualquer gestão tranquila.
Celebrar implica discurso, implica posicionamento, implica reconhecer o valor da participação cívica. Ignorar… é bem mais simples.
E, nesse sentido, a decisão até faz sentido. Menos celebração, menos reflexão. Menos reflexão, menos perguntas. Menos perguntas, mais conforto.
E assim se governa com menos ruído.
No entanto, há um pequeno detalhe, o 25 de Abril não precisa de autorização institucional para existir. Não depende de agendas nem de vontades políticas. Continua a ser celebrado, com ou sem programa oficial, com ou sem palco montado.
Talvez isso seja precisamente o mais incómodo.
Porque há símbolos que não se cancelam. Apenas se expõem, especialmente quando alguém tenta fingir que não são importantes.
Que vergonha Jorge do Carvalho
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