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O truque é antigo e continua funcional, chamar modernização ao que, na prática, é uma dieta forçada de direitos. Mais horas, menos protecção, menos descanso, mais obediência, a velha fórmula para parecer inovação. Mas uma precariedade com nome chique continua a ser precariedade; um banco de horas continua a ser, para muitos, um cofre onde só o patrão levanta o dinheiro e o trabalhador levanta o cansaço.
Pergunta-se, então, o óbvio, que valor tem um discurso sobre produtividade quando o país real vive de contas curtas, turnos longos e paciência esgotada? Muito pouco. A verdade é simples, e por isso mesmo irrita tanto, quem legisla o esforço dos outros sem nunca o provar no próprio corpo costuma chamar racionalidade ao privilégio e reforma à compressão da vida.
Se esta é a tal governação adulta, então é adulta no pior sentido, sabe contar cifras, mas não sabe pesar vergonhas. E quando um país é tratado como folha de Excel, o resultado não é progresso, é um cemitério de horas extraordinárias, polido por linguagem técnica e vendido como virtude. Montenegro pode guardar a sua dieta de luxo. O resto do país já anda, há muito, em regime de jejum forçado.
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