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lhemos nos olhos das nossas crianças. O que vemos ? Deveria ser curiosidade, o entusiasmo de aprender, o riso partilhado no recreio, no parque de jogos. Mas, infelizmente, para muitos alunos na nossa comunidade, o que se lê no olhar é um medo profundo e silencioso.
Os episódios recentes de violência extrema que têm vindo a público nas imediações da Escola das Madalenas em Santo António, ultrapassam o limite do admissível com agressões físicas graves, o uso bárbaro de barras de ferro, pancadaria à porta do recinto e ameaças constantes, não são meras "coisas da idade". São traumas reais que deixam marcas invisíveis, mas permanentes.
A isto junta-se o veneno invisível do cyberbullying. Hoje, a agressão já não termina quando toca para sair. Ela persegue os jovens até ao quarto, através dos ecrãs, roubando-lhes o último refúgio que tinham: a segurança da casa.
Quando uma criança cresce num ambiente de medo, o seu cérebro entra em modo de sobrevivência. As consequências para o seu desenvolvimento são devastadoras e profundas, é biologicamente impossível concentrar-se na matemática ou na história quando vive em pânico. As notas descem, o abandono escolar espreita; o bullying persistente faz com que a vítima se sinta culpada, inadequada e profundamente isolada do mundo quando devia estar a aprender a confiar nos outros, com dificuldades em criar laços emocionais saudáveis.
Por seu lado a não fazer nada estamos a ensinar aos agressores e às testemunhas passivas que a força bruta e a intimidação são formas válidas de resolver conflitos e obter poder.
Uma escola fechada sobre o medo deixa de ser um espaço de educação e passa a ser um espaço de sobrevivência. Nenhuma criança deveria ter de ser "forte" ou "resistente" apenas para conseguir sobreviver ao recreio.
Esta não é uma batalha apenas dos professores, das direções escolares ou das forças de segurança. É uma urgência humana de todos nós — pais, encarregados de educação, vizinhos e cidadãos. Precisamos de falar com os nossos filhos, de monitorizar o que partilham nas redes sociais e, acima de tudo, de exigir respostas firmes que protejam a integridade física e a saúde mental das crianças de Santo António e de toda a Região.
Não podemos assobiar para o lado enquanto o futuro deles é espancado à nossa frente. Educar também é proteger.
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