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Norte da Madeira: futuro, não postal.

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 Norte da Madeira sempre foi uma das maiores riquezas da ilha. É mais verde, mais calmo e mais humano. Mas não pode viver só de imagem. Aqui vivem pessoas. Pessoas que trabalham, pagam impostos e têm direito a uma vida digna.

No Norte também há falta de habitação, falta de serviços públicos e falta de oportunidades. Por isso, falar de desenvolvimento não é luxo. É necessidade. Quem mora em São Vicente, em Ponta Delgada e noutras zonas do Norte sabe bem que não se vive de paisagem. Vive-se de trabalho, de investimento e de condições reais para ficar.

É por isso que rejeitamos a ideia de transformar o Norte numa reserva museológica para turistas. A terra não existe só para ser fotografada. Existe para ser vivida. Existe para crescer. E crescer de forma moderada, legal e com respeito pelo lugar.

O projeto em causa cumpriu a lei, obteve licenciamento e foi publicado oficialmente. Confundir um projeto privado legal com um crime ambiental é má fé política. É uma forma fácil de fazer ruído, mas não resolve nada. A pergunta certa é outra: por que razão há quem aceite construção em umas zonas e a ataque noutras? Por que razão o betão é “progresso” no Funchal e “selvajaria” no Norte?

Essa dupla moral já cansa. O Norte não precisa de lições de quem fala de fora, sem conhecer a vida de quem cá mora. Também não precisa de paternalismo geográfico, nem de moralismo económico. Precisa de equilíbrio. Precisa de habitação. Precisa de emprego. Precisa de investimento privado sério. Precisa de regras claras e respeito pelas regras.

Sem investimento, os jovens vão embora. Sem emprego, a terra esvazia. Sem habitação, as famílias ficam presas. E sem desenvolvimento, o Norte fica condenado ao atraso. Isso sim é um problema real.

Por isso, a mensagem é simples, o Norte da Madeira quer futuro. Quer progresso. Quer empresas que invistam com responsabilidade. Quer autarquias que decidam com rigor. E quer deixar claro que os habitantes desta zona não são figurantes de um postal bonito. São cidadãos com direitos.

O Norte não pede favores. Pede justiça. E pede uma coisa muito básica, que o seu desenvolvimento seja tratado com a mesma seriedade que é dada a qualquer outra parte da Madeira.

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