D
Funchal, com certeza devido à crescente longevidade das pessoas. Mas, e se cortássemos uma perna ou um braço a um idoso, tal como a porta da Sé, só porque atrapalharia menos. É interessante perceber que a atenção do passado
A Sé não tem outras portas e num povo tão superior não existe capacidade de criar solução sem intervir num Monumento Nacional secular? Mas agora imaginemos que, para outras comodidades do fiéis começam a introduzir alterações e a cortar o que lhes apetece isso estaria certo? Então houve 5 séculos de bom senso e agora chegou a esperteza toda?
Vi um texto que foge da legalidade, conhecimento histórico, respeito pelo património, para tentar pela emoção levar os incautos ao apoio da barbaridade sem conhecimento que se fez na Sé.
O guarda-vento é a segunda porta na "caixa" de transição entre a rua e a nave central da igreja. Serve para travar as correntes de ar frias, o vento forte, a chuva ou a poeira da rua, ajuda a manter uma temperatura estável e agradável no interior da catedral e protege o património (como altares, pinturas e talha dourada) da humidade direta. Serve para abafar o ruído vindo do exterior (trânsito, conversas na praça), garantindo que o ambiente dentro da catedral permaneça silencioso, propício à oração, recolhimento ou à celebração das missas. É um elemento funcional, nas catedrais antigas os guarda-ventos são frequentemente obras de arte valiosas. São normalmente feitos de madeiras nobres, que "sorte" na Sé não ser ricamente trabalhado com talha, relevos decorativos, brasões ou vitrais. Se calhar mudaria de figura e a "velhinha" já poderia cair. A "caixa" é espaço de transição onde o fiel deixa o "mundo profano" (a rua) e se prepara espiritualmente para entrar no "mundo sagrado" (o interior do templo). Na Sé parece que ficou tudo de profano.
A construção da Sé Catedral do Funchal (originalmente designada como "Igreja Grande") ocorreu na transição do século XV para o século XVI, num processo faseado que acompanhou o crescimento económico e demográfico da ilha. Importa lembrar o esforço para uma pequena ilha ter um monumento daqueles.
Em 1486, o então duque D. Manuel (futuro rei D. Manuel I) dá ordens que se edifique a "Igreja Grande" no Funchal, escolhendo para o efeito terrenos que lhe pertenciam. Em 1493 começa formalmente a construção do templo, em terrenos doados pelo então monarca. Em 1502 os trabalhos ganham um novo fôlego graças à instituição de um imposto sobre a produção de açúcar e de vinho na Madeira, para o financiamento da obra, a par de subsídios atribuídos por D. Manuel I para a construção da cabeceira da igreja. Em 1508, o Funchal é elevado à categoria de cidade e por esta altura a estrutura já se encontrava num estado avançado de construção, o suficiente para que se celebrassem missas no seu interior. Em 1514, uma curiosidade "leonina", com a criação oficial do bispado do Funchal pelo Papa Leão X, o templo de Santa Maria é formalmente elevado ao estatuto de Sé Catedral, com os trabalhos de acabamento ainda a decorrer. Entre 1517 – 1518, o coruchéu da torre sineira e os detalhes finais da arquitetura manuelina/gótica ficam concluídos. A consagração solene do altar da Sé ocorre a 18 de outubro de 1517, pelas mãos do bispo D. Duarte.
O desenho e a execução desta obra monumental contaram com a responsabilidade do arquiteto e mestre de carpintaria Pêro Anes e do mestre-pedreiro Gil Eanes.
O corta vento ....
Embora a Sé seja do início do século XVI, a zona da entrada principal sofreu uma transformação radical no final do século XVIII. Foi no ano de 1794 que se construiu o atual coro-alto que cobre a entrada do templo. Para sustentar esse mesmo coro-alto, foram erguidos três arcos apontados. É precisamente sob esses arcos que a magnífica estrutura de madeira nobre do guarda-vento foi perfeitamente adaptada e encaixada para isolar as naves da Sé.
Um monumento perde a classificação nacional se os pressupostos históricos, artísticos ou arquitetónicos que ditaram a sua proteção deixarem de existir. Conta uma descaracterização tão profunda que faça o edifício perder por completo o seu valor original.
Onde anda a DRAC?
Em 2026, um curioso que não consultou ninguém, pegou no serrote e cortou o corta-vento. Percebendo que fez asneira e não foi capaz de, nestes tempos modernos, conseguir solução para manter intacto um edificado secular classificado de monumento nacional trouxe a emoção aos jornais. São todos iguais na hora do aperto. Era só sair da ilha e ver a solução dos outros, mas como isto é fechadinho e a Igreja faz parte do PSD, estamos nos mesmos registos de salvar a pele.
Não era de meter cimento no chão para as pessoas não caírem?
https://www.nationalgeographic.pt/historia/um-tesouro-no-funchal-que-nao-precisa-mapa-secreto_1294
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:



Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.