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O Porto Santo também não quer madeirenses.

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 Porto Santo sempre foi o nosso refúgio, o "bocadinho de céu" onde o madeirense comum, com mais ou menos posses, ia carregar baterias no verão. Era a "nossa praia", a nossa calmaria. Mas, pelos vistos, a ganância não tem limites e o vírus que infetou o Funchal e a Madeura já atravessou o canal e está a dar cabo da Ilha Dourada.

As notícias do JM mostram a Câmara do Porto Santo de "braços abertos" para o Alojamento Local (AL) e a gabar-se de não pôr travões. Dizem que é "turismo de qualidade", mas o povo já sabe o que essa conversa fiada significa na prática, gentrificação, exclusão e a expulsão dos locais. Esse embevecido e incompetente presidente de câmara é um pau mandado que vai dar cabo da ilha. O dinheiro vai matar as dunas, expulsar portossantenses, instalar o regabofe que está na Madeira no Porto Santo, ainda vão sentir saudades dos mal comportados dos madeirenses, por sinal, filhos do carro preto. Não o povo comum que é respeitador, eles não se sentem donos de tudo.

Estamos todos fartos de ver o Funchal transformado num parque de diversões para estrangeiro ver. Eles até a conduzir brincam, é um fartote de rent-a-cars a entupir as estradas, AL em cada esquina a esvaziar os prédios, e o comércio tradicional a ser escorraçado para dar lugar a negócios de luxo que em nada servem os residentes. Agora, querem replicar o mesmo cenário no Porto Santo? De braços abertos.

Adeus às férias dos madeirenses: Com o AL a tomar conta de tudo, os preços vão disparar. Aquelas férias em família, simples e acessíveis, vão passar a ser uma miragem. O Porto Santo prefere o dinheiro do estrangeiro ao descanso do madeirense. Caso não se tenham dado conta fomos expulsos da serra, olham-nos de banda em restaurantes, preferem estrangeiros a bloquear as gasolineiras em vez de chamar à atenção, não temos casa, o Albuquerque parece que quer bater nos pobres e uns fazem-se de ricos para um dia chorarem

Portossantenses, daqui a uns tempos, os próprios filhos da terra não vão ter onde morar. Com os ordenados miseráveis que se pagam, quem é que consegue competir com investidores que compram casas a pronto para explorar o turismo? Os jovens vão ser postos na alheta.

O autarca diz que não quer cometer erros do passado. Ora, "desenvolvimento sustentável" não é encher a primeira linha de mar com betão e colocar limitações apenas nos grandes hotéis para deixar o AL em roda livre.

Isto é a prova provada de que temos um governante que é um autêntico queque elitista, completamente desfasado da realidade. E os seguidistas do tacho vão atrás. Ele não faz a mínima ideia do que é viver com um salário regional e ver a renda da casa duplicar de um ano para o outro. Criam o sarilho na economia, estendem a passadeira vermelha à especulação e, no fim, a culpa é do cidadão que não consegue pagar? É de bradar aos céus!

O Porto Santo não pode ser a próxima vítima desta política cega que vende a nossa identidade ao melhor licitador. Se não abrirmos os olhos e não mudarmos de atitude, em breve não teremos nem Funchal, nem Porto Santo, nem dignidade para viver na nossa própria terra.

Um aviso, estou a ver as pessoas revoltadas como nunca, e este povo que sabia receber e respeitar sente-se abusado. As animosidades estão a aumentar, mudamos completamente a ideia que tínhamos de turismo.

Outro aviso, é melhor reforçar a ETAR, a salubridade/lixo, a Esquadra de Polícia, a dessalinizadora, o transporte fiável de acidentes para a Madeira e comprar ter ansiolíticos de borla para a população, não fazem a mínima ideia do que vai acontecer. Até o Lobo Marinho vai querer navegar mais depressa. Terão o turismo de qualidade...

Que curiosidade, fecharam o parque de campismo e agora vemos isto, estão a expulsar os madeirenses porque alugar casa ou quarto vai passar a ser impossível.

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