Este país não gosta de portugueses com ordenado de português. Pratica vencimentos baixos e não controla os preços das casas. Só gostam de estrangeiros para casas de milhão com visto gold.
A
s novas diretrizes em cima da mesa do Banco de Portugal indicam que o acesso ao crédito à habitação vai ficar mais apertado e exigente, sobretudo para quem já tem os rendimentos mesmo à conta ou conta com menos capital próprio.
A principal medida é a intenção do regulador em reduzir a taxa de esforço máxima permitida (o rácio DSTI) de 50% para 45%. O consumidor que gasta cada vez mais dinheiro em supermercado, com pouca atualização do ordenado, acaba por ser de novo castigado no acesso à habitação.
Está mesmo negro para o madeirense ter casa ao custo que elas estão e da maneira como o financiamento aperta. E as imobiliárias, um negócio sujo com o que é dos outros, vão ter sempre estrangeiros para comprar?
A taxa de esforço mede a percentagem do rendimento líquido mensal de uma família que fica comprometida com o pagamento de prestações (somando a casa, o carro, cartões de crédito, etc.). Com este aperto de 5 pontos percentuais, a margem de manobra para conseguir a aprovação dos bancos encolhe substancialmente.
Como os bancos deixam de poder aceitar contratos onde a prestação gaste metade do salário, o teto máximo de financiamento que vão disponibilizar a cada família vai baixar. Para comprar a mesma casa, as pessoas terão de dar uma entrada inicial muito maior ou procurar habitações significativamente mais baratas. E elas existem? Não! Pelos vencimentos praticados na Madeira, pelo custo de vida e pelo custo da habitação, o caminho é só um, emigrar.
Os agregados com salários mais limitados, que antes dependiam do limite máximo de 50% para conseguir aprovação para uma habitação condigna, correm o risco de ver os seus processos imediatamente chumbados por ultrapassarem os novos 45%.
O Banco de Portugal avança com este travão precisamente pelo disparo no número de créditos considerados de risco elevado, impulsionados pela nova garantia pública do Estado (que permite financiar a casa a 100%). Estes jovens compram sem dar entrada, a prestação mensal fica muito mais alta e "bate" facilmente nos limites da taxa de esforço. Ao reduzir a taxa máxima, o regulador acaba por limitar o alcance real da própria ajuda estatal.
O supervisor bancário está também a ponderar mexer nas exceções que permitiam aos bancos aprovar, a título extraordinário, créditos com taxas de esforço até 60% para perfis selecionados, bem como encurtar ou fiscalizar melhor os prazos máximos de maturidade dos contratos (35 a 40 anos), impedindo as famílias de esticarem o prazo para a prestação parecer mais baixa.
Se antes uma família com 2.000 € líquidos podia gastar até 1.000 € em prestações para conseguir o empréstimo da casa, com a nova fasquia o limite cai para os 900 €. Quem não tiver poupanças extra para cobrir essa diferença no preço de compra ficará temporariamente fora do mercado de compra de casa.
E então, vamos para arrendamento? E onde existe e a que preço, daqueles que é mais do que uma prestação ao banco. Isto está tudo errado, feito por gente que não passa por dificuldades.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.