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Carta Aberta ao Diretor do Desporto da Câmara Municipal do Funchal

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Desporto escola de virtudes.

Exmo. Senhor D. O.

E

screvo-lhe na sequência de um episódio a que assisti diretamente no jogo entre ADM e Andorinha, e que não pode, nem deve, passar em silêncio, sobretudo tendo em conta o cargo público que ocupa enquanto Diretor do Desporto da Câmara Municipal do Funchal.

Durante o encontro, o senhor dirigiu-se ao árbitro com palavras de caráter ofensivo e discriminatório, fazendo referência à sua cor de pele e dizendo-lhe para “regressar ao Nepal”. Não se trata de um mal-entendido, nem de um relato indireto. Eu estava presente. Vi e ouvi.

Este tipo de comportamento não é apenas inaceitável no contexto desportivo, é incompatível com qualquer função pública, e ainda mais grave quando parte de alguém cuja responsabilidade é precisamente promover os valores do desporto. O respeito, a inclusão e o fair play não são conceitos decorativos em discursos institucionais; são princípios fundamentais que devem ser vividos, sobretudo por quem lidera.

Num campo onde jovens atletas observam tudo o que se passa à sua volta, a sua atitude teve um peso ainda maior. Que exemplo foi dado aos jogadores dentro de campo? Que mensagem recebeu o seu próprio filho, ao ver o seu pai, numa posição de autoridade, agir dessa forma? O desporto forma caráter, mas apenas quando os adultos que o rodeiam estão à altura dessa responsabilidade.

O Funchal orgulha-se de se afirmar como um município amigo do desporto. Mas essa designação exige coerência. Não basta investir em infraestruturas ou promover eventos; é essencial garantir que os valores que sustentam o desporto são respeitados por todos, especialmente por quem representa institucionalmente essa área.

A sua conduta levanta ainda uma questão mais ampla: que tipo de valores estão a ser partilhados nos encontros e iniciativas em que participa, nomeadamente no âmbito dos Municípios Amigos do Desporto? São estes os exemplos que se levam para fora, em representação do Funchal?

O que aconteceu exige mais do que silêncio ou desvalorização. Exige reconhecimento, reflexão e, sobretudo, responsabilidade. Quem ocupa um cargo público não pode escolher quando representa a instituição, representa-a sempre, em cada ação e em cada palavra.

Esta carta não é movida por animosidade pessoal, mas por um sentido de dever cívico e pela necessidade de defender aquilo que o desporto deve ser: um espaço de respeito, igualdade e integridade.

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