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A sintonizar estações...

O Papa anda "endiabrado".

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ivemos numa ilha que se esquece dos seus e investe nos outros. Temos sido avisados sobre o inverno demográfico na Madeira, como está previsto passarmos a metade daqui a poucas décadas. Com o comportamento do nosso Governo, entre estúpidos e gananciosos, o problema deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma realidade estatística alarmante do presente. Longe de mitigar este cenário, a políticas do GR tem funcionado como um acelerador do desaparecimento dos madeirenses, à medida que promove um modelo económico monocultural assente no turismo de massas e na especulação imobiliária de luxo. Ao asfixiar as novas gerações com salários baixos e custos de habitação proibitivos, o executivo regional inviabiliza a natalidade local e empurra o capital humano qualificado para a emigração forçada, substituindo progressivamente a população nativa por investidores e residentes temporários de alto poder de compra. Esta política, na prática, decreta o esvaziamento identitário e o envelhecimento irreversível da ilha.

Parece que não somos os únicos com esta cegueira governamental, todos os políticos se drogam com a mesma substância? A notícia que chega do Vaticano é perfeitamente aplicável à nossa realidade regional. Quando o Papa alerta para a "pandemia da solidão" e para o inverno demográfico na Europa, aponta o dedo às políticas que falham em apoiar quem quer constituir família. No caso concreto da Madeira, este cenário não é apenas uma projeção estatística, é um drama social alimentado por escolhas económicas asfixiantes.

Escrevo porque estamos a senti-las, naturalmente os proscritos da política partidária que enferma a governação. Governam para si mesmos. Netsa Região, o desejo de fixar os jovens e inverter a pirâmide etária esbarra frontalmente numa muralha de obstáculos práticos que inviabilizam qualquer projeto de futuro. O Governantes não têm categoria para resolver, só mandam bocas tontas, especialmente no social, curiosamente com uma secretária encubada na Igreja.

O custo do trabalho na Região continua historicamente baixo enquanto só se vê o PIB. Os jovens que investem anos em licenciaturas e mestrados encontram um mercado local que raramente valoriza as suas qualificações, oferecendo salários que mal cobram as despesas básicas e estágios que se perpetuam. Mas, mais ainda, a qualidade, a qualificação, o investimento pessoal na sua formação é gozada por cunhas do partido, muitas vezes imensamente incompetentes a gerar estas políticas idiotas de "genocídio".

Assistimos a um Funchal e a uma periferia focados no imobiliário de luxo, no alojamento local e no turismo. Este modelo inflacionou os preços das casas e dos arrendamentos para valores completamente incompatíveis com os ordenados praticados. Para um jovem casal madeirense, comprar ou alugar casa na sua própria terra tornou-se uma utopia. O "irritante" da questão é que no centro da Europa conseguem fazer vida, conseguem começar a fazer vida, coisa que lhes é negada na Madeira.

Exigir ou apelar à natalidade quando a economia regional expulsa ativamente o seu capital humano mais jovem é de uma hipocrisia gritante. A Madeira está a exportar inteligência e a importar envelhecimento.

Para fixar os jovens e permitir que tenham filhos, a Madeira precisa urgentemente de salários dignos, habitação acessível real (e não apenas no papel) e uma verdadeira diversificação económica. Caso contrário, continuaremos a assistir à debandada das mentes mais brilhantes da nossa terra, deixando para trás uma ilha fantasma, vibrante para quem nos visita, mas inviável para quem cá nasce.

Agora falta-me ler no domingo que o Madeira Opina só diz mal do Governo, essas folhas de entretenimento, escravas do poder, também não enxergam o estado da população porque os seus filhos são privilegiados? Que jornalismo é este que não enxerga para lá da narrativa do poder? Com certeza gente vendida.

Agradeço a atenção da publicação.

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