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O Último Serviço: engenharia da cunha e quando o concurso já tem dono.

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á instituições onde se ensina engenharia. E há outras onde se pratica, com requinte quase artesanal, a arte da cunha aplicada. Reza a lenda urbana e rural que certos concursos públicos conseguem o feito notável de existir antes mesmo de existir necessidade. Cursos sem alunos, vagas sem candidatos exceto, curiosamente, aquele candidato que parece encaixar como uma luva num perfil que mais ninguém sabia que era preciso.

Aqui, a inovação não está nos laboratórios, está nos concursos feitos por medida, esse exercício de escrever requisitos com a precisão de quem descreve… uma pessoa específica. Alunos? Um pormenor irrelevante. A ciência pode esperar…

Diz-se que o ensino superior deve servir o mérito. Mas isso dá trabalho, exige concorrência, transparência, risco. Muito mais eficiente é este modelo elegante, elimina-se a incerteza, fecha-se o circuito e transforma-se um concurso público numa espécie de formalidade decorativa, como aquelas placas de “entrada livre” em eventos onde já se sabe exatamente quem entra.

E há algo comovente neste momento de transição institucional. Enquanto saem discretamente pela porta da reforma obrigatória aos 70 anos, ainda encontram energia para deixar tudo bem encaminhado. Não por vaidade, claro, por dever um favorzinho ao actual chefe da instituição. Um último gesto de “serviço público”, garantindo que o legado continua… em linha direta.

O mais notável é a naturalidade. Ninguém se espanta verdadeiramente. Abre-se o concurso, define-se o perfil, aparece o candidato inevitável, e no fim declara-se, com ar sério, que tudo decorreu dentro da normalidade. E decorreu. A normalidade deles. Mesmo sem alunos cria-se o lugar. Quem diria que sistemas fechados, previsíveis e impermeáveis ao mérito pudessem afastar precisamente aqueles que não têm apelidos estratégicos…

E assim se faz ciência na Universidade da Madeira. Não necessariamente boa, não necessariamente útil, mas certamente… bem acompanhada.

Nos bastidores, há quem se despeça em grande estilo. Garante que tudo fica “em boas mãos”. Literalmente. Chama-se a isto serviço público com laços fortes. Não é verdade Sr. C****. Que saída mais triste da ilha. Vá e não volte. É "personna non grata" aqui.

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