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A sintonizar estações...

Vou lembrar, mais uma vez.

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A

 política regional tem um talento particular, apresentar equipas como garantias absolutas… até ao momento em que deixam de o ser. Recorde-se o entusiasmo. A “equipa forte”, os nomes alinhados, a promessa de competência, de gestão rigorosa, de confiança. Um elenco apresentado como solução, quase como blindagem contra qualquer dúvida.

Eram estas as estrelas, “Funchal Sempre à Frente”, liderada por Pedro Calado, nas autárquicas de 2021:

  • Pedro Calado — presidente
  • Cristina Pedra
  • Bruno Pereira
  • Margarida Pocinho
  • João Rodrigues
  • Nádia Coelho

Tudo sólido.

Até a realidade começar a pedir explicações. Há algo de profundamente desconfortável quando aquilo que foi vendido como estabilidade começa a acumular episódios que, no mínimo, exigem memória. E escrutínio. E algum sentido crítico.

Pensemos nos projectos da alegada corrupção.

Grandes obras públicas, anunciadas com números redondos e certezas absolutas. Valores que, curiosamente, parecem ter uma elasticidade impressionante, aquilo que era o custo total transforma-se, com o tempo, no custo de apenas uma fase.

Só uma fase, cerca de 300 milhões de euros.

Uma obra desta dimensão… sem concorrência. Nenhuma. Zero.

Num mercado onde, teoricamente, não faltariam interessados. Nem disputa, nem alternativas, nem sequer a ilusão de escolha.

Tudo isto enquanto equipas (agora sobre o olhar da policia judiciária) que, recorde-se, foram apresentadas como exemplares. Como garantia de boa governação.

Vamos aos factos, os custos que disparam, ausência de concorrência, e uma sequência de acontecimentos que transforma a “equipa forte” num caso de estudo sobre como a realidade pode desmontar narrativas.

Sempre que se olha com atenção, as mesmas perguntas continuam sem resposta.

Tudo isto aconteceu à vista de todos, com números, provas incriminarias para toda esta equipa de estrelas e, ainda assim, não vemos ninguém no xadrez.

Quando uma obra pública cresce sem medida, quando não há concorrência, quando as explicações não aparecem e a responsabilidade se dilui…estamos perante um sistema que funciona exatamente como foi desenhado, em prol da corrupção. Caros inspectores da judiciária olhem para esta obra que desvia milhões do dinheiro público .

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