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Hoje o JM vem com a bonita capa com o título "Funchal suspende PDM para criar mais casas acessíveis" é a cantiga da carochinha para embalar o povo. Tal como Albuquerque usa o pretexto "sagrado" do Hospital para justificar derrapagens e favorecer os suspeitos do costume, a Câmara Municipal do Funchal (CMF) ensaia agora exatamente o mesmo guião, usando a crise da habitação e os "pobrezinhos" como o escudo humano perfeito.
Tentam pintar isto como uma medida de salvação pública para a dita "classe média" e "média baixa", mas basta ler as entrelinhas da notícia para perceber onde está o verdadeiro gato escondido.
Majorações de 80%. A notícia refere com clareza que haverá propriedades com majoração de 80%, permitindo que em terrenos onde se previam 200 fogos se construam agora 300. Isto não é planeamento urbano, isto é dar carta branca para cimentar a cidade ao dobro da velocidade.
A suspensão como atalho. Em vez de esperarem pela revisão normal do PDM, que deita por terra os "empecilhos" burocráticos e as regras de equilíbrio ambiental e de densidade, decidiram "suspender parcialmente" o documento com "medidas preventivas" e "rápidas". É o pretexto ideal para contornar a lei e aprovar projetos que, em condições normais, nunca passariam.
A alteração também prevê o aumento brutal de lugares de estacionamento privados por habitação e a facilitação para meter supermercados em zonas de média e alta densidade. Quem ganha com isto? O madeirense comum que não consegue pagar uma renda ou os grandes grupos económicos e construtores civis que já têm os terrenos comprados e apalavrados?
Como no texto que fiz menção, se criticamos o Hospital, somos contra os doentes; se criticamos esta suspensão relâmpago do PDM do Funchal, esta gente vai logo berrar que estás contra os jovens e as famílias que não têm casa. Contra eles é a economia de baixos salários que impuseram aos madeirenses.
Tudo isto é um cinismo ultrajante. A habitação está cara na Madeira não é por falta de betão ou por falta de prédios a nascerem como cogumelos, está cara porque a ilha foi entregue ao turismo selvagem, aos vistos gold disfarçados e à especulação imobiliária que empurrou o madeirense para fora da sua própria cidade.
Agora, fingem que vão resolver o problema entregando o resto do Funchal de bandeja ao lóbi da construção, aumentando a capacidade construtiva em zonas já de si saturadas. As "casas acessíveis" vão ser a desculpa para enriquecer os mesmos três ou quatro construtores que financiam as campanhas e mandam nisto tudo por trás do pano.
A montanha vai parir mais um monte de cimento e, no fim, o madeirense vai continuar a ver os preços a subir e a cidade a rebentar pelas costuras. Agora é que vão multiplicar habitação de milhões à conta dos pobrezinhos. Abramm os olhos!
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