O Governo de Montenegro anda a estudar se há abusos nos preços dos combustíveis em Portugal. Dizem que não encontram nada. Com esta notícia tiro a limpo. Estamos mesmo a descarbonizar? Consumimos menos mas muito mais caro? O lucro é que não engana.
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Quando o preço do barril de petróleo bruto sobe nos mercados internacionais por instabilidade geopolítica ou especulação, a subida nas bombas de gasolina é quase instantânea. As petrolíferas justificam com a "antecipação dos custos de reposição de stock". Caramba o stock não está a preço antigo? E se aguentassem uns dois meses? Qual era a reserva estratégica? 4 meses?
Quando o barril desce, a redução no preço final arrasta-se lentamente ao longo de semanas. A explicação inverte-se, "ainda estamos a vender o combustível que foi comprado ao preço mais alto".
São uns brincalhões, de milhões. É preciso o governo estudar para ver, de caras, que esta margem temporal entre, a subida rápida e a descida lenta, é precisamente um dos grandes motores de rentabilidade extraordinária nos períodos de crise e volatilidade?
Porquê este teatro? Para o Governo não agir?
Enquanto as famílias lutam contra a perda de poder de compra e a inflação sufocante, o argumento de que "os custos de produção e transporte subiram para todos" cai por terra quando confrontado com estes números. Se a margem de lucro operacional dispara a este ritmo em apenas seis meses, não estamos perante uma empresa a tentar "sobreviver à crise", mas sim a rentabilizar a crise.
Num mercado verdadeiramente concorrencial e transparente, margens tão altas atrairiam concorrência que forçaria a descida dos preços. No entanto, o setor dos combustíveis funciona como um oligopólio informal. Sem regulação e fiscalização implacáveis por parte das entidades da concorrência, o consumidor final não tem alternativa nem margem de manobra, consumir combustível não é uma escolha de luxo, é uma necessidade de mobilidade e trabalho.
Eu concluo que o Governo não faz absolutamente nada e está em sintoniza com as petrolíferas. É preciso estudar?
A única razão pela qual a opinião pública toma conhecimento destas dinâmicas é o dever legal de apresentação de contas aos acionistas nas bolsas de valores. Para o mercado acionista, apresentar um lucro de 2,2 mil milhões é um sinal de "eficiência operacional e resiliência", para o cidadão que deixa metade do salário no posto de abastecimento, é a confirmação de que a crise de uns continua a ser a mina de ouro de outros. Estas contas públicas parecem as do DN da Madeira, mas ao contrário.
Não é preciso um estudo académico para perceber o óbvio, as crises funcionam como um mecanismo gigantesco de transferência de riqueza, onde os custos são socializados pela população geral e os ganhos são concentrados nos acionistas das grandes indústrias extrativas e de refinação.
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