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Entretanto, os tempos mudaram. Ou talvez não.
Hoje parece que a Madeira assistiu ao aparecimento de um novo partido da vaca e do boi. Só que esta versão é um daqueles remakes que ninguém pediu. O boi já conseguiu um lugar numa assembleia do retângulo. A vaca continua a marrar em todas as portas, convencida de que, insistindo o suficiente, alguma acabará por se abrir.
O problema é que este novo partido da vaca e do boi não tem programa político. Tem GPS. Não segue princípios, segue oportunidades. Não procura convencer pessoas, procura recrutar figurantes. O objetivo não é construir um projeto para a Madeira. É construir uma carreira para meia dúzia.
E, para isso, vale tudo. Vale transformar cada descontentamento numa manifestação, cada microfone num palanque e cada seguidor num "idiota útil" que acredita estar a mudar o mundo, quando, na realidade, está apenas a empurrar o elevador social de quem vai lá dentro.
É uma espécie de empreendedorismo político em que o produto são indignações embaladas em direto nas redes sociais e os clientes são todos os que confundem likes com liderança.
Sempre que vejo este espetáculo lembro-me inevitavelmente do partido da vaca e do boi de outros tempos. E dou por mim a pensar que o original era incomparavelmente melhor. Ao menos aquele não fingia ser aquilo que não era.
Dizem que a História se repete. Talvez seja verdade. Mas, neste caso, repetiu-se como aquelas sequelas de filmes famosos com mais barulho, menos argumento e um orçamento inteiramente gasto em efeitos especiais. A diferença é que, no cinema, quem não gosta pede o dinheiro de volta. Na política, a conta chega sempre aos contribuintes.
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