Sem soluções, castiga-se os familiares que apoiam. Muitas vezes substituem a falta de pessoal que vai esquecendo os nossos idosos na corredora.
A
A justificação oficial para esta medida prende-se, quase sempre, com questões de "gestão de espaço", "segurança" ou "picos de afluência". Contudo, quando analisamos o impacto real desta decisão, as ilações vão muito além da logística hospitalar.
Um doente acamado, muitas vezes idoso ou debilitado, não tem capacidade de se fazer ouvir. O familiar não é um mero visitante, é quem alimenta, quem conforta, quem ajuda na higiene básica e quem traduz as necessidades de quem já não consegue falar. Retirar o acompanhante é deixar o elo mais fraco da cadeia em isolamento absoluto. Assim duplicam a vulnerabilidade.
Ao afastar os familiares, o sistema consegue, intencionalmente ou não, um efeito secundário conveniente para a tutela, o silêncio. Sem olhos externos nas salas de espera e nos corredores, deixa de haver testemunhas para o tempo de espera real, para as macas amontoadas e para a eventual falta de assistência atempada. Quem está lá dentro não consegue denunciar, quem está cá fora fica sem saber a verdade. É o "apagão" nos corredores da urgência. É para ver se não sai no Madeira Opina?
Tratar a presença de um familiar como um "obstáculo" ao funcionamento do serviço é o reflexo de uma visão tecnocrática da saúde, onde os números da triagem contam mais do que o conforto humano. É desumano porque quebra o princípio básico de que o tratamento de um doente também se faz com o suporte afetivo de quem o conhece. A desumanização justificada pela burocracia.
Esta medida acaba por funcionar como um filtro de informação. Mas vão mesmo conseguir? Eu acho que acicata! Sob a capa da organização dos serviços, ergue-se uma barreira que impede a comunidade de ver o estado real do Serviço de Urgência. Um sistema que se fecha sobre si mesmo e recusa o olhar dos cidadãos é um sistema que tem receio do que as famílias possam relatar ao exterior. No final, quem paga o preço do isolamento e do silêncio é quem está deitado numa maca.
Só se pede um familiar ao lado do doente, até porque pode ser o único que sabe informar o que se passa.
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.