M
r. Castor caminhava pela cidade com o peito inchado e o nariz apontado ao céu, convencido de que era o único génio rodeado de tolos. Falava como se cada palavra fosse uma lição e olhava para os outros como quem distribui certificados de inferioridade. Na sua cabeça, era um estratega brilhante. Na realidade, era apenas um vendedor ambulante da banha da cobra.
Os Reis da Cidade perceberam rapidamente o material de que o Castor era feito. Bastou acenar-lhe com apartamentos, dinheiro escondido e promessas de uma vida de luxo para que ele se transformasse no cavalo de Troia perfeito. A missão era simples. Infiltrar-se no gangue, conquistar confiança e transformar os companheiros em peões dos verdadeiros donos do tabuleiro. O Castor chamava-lhe inteligência. Os Reis da Cidade chamavam-lhe um investimento barato.
Durante algum tempo, o plano pareceu funcionar. O Castor abanava chaves de apartamentos, envelopes de dinheiro e uma vida rodeada de luxo. Também imaginava que seria irresistível para todas as mulheres. A realidade era menos generosa. Apenas as mais distraídas perdiam tempo a ouvi-lo. As inteligentes percebiam ao fim de cinco minutos que por detrás da pose de grande conquistador havia apenas um palhaço convencido, um verdadeiro regabofe ambulante.
Mas nenhum teatro dura para sempre. O gangue começou a juntar as peças e percebeu que o Castor nunca vestira verdadeiramente a camisola. Não lutava por causa alguma, apenas pelo próximo apartamento, pela próxima recompensa e pelo próximo favor pago por baixo da mesa. Quando a máscara caiu, caiu de vez. O Castor foi corrido do gangue pela mesma porta por onde tinha entrado cheio de arrogância, levando consigo apenas a fama de vendido e de idiota útil do poder.
Desde então, o grande estratega passa os dias entre as redes sociais e as conversas de café, sempre a atacar o antigo gangue na esperança de que alguém ainda lhe dê importância. É a velha tática da terra queimada. Se já não pode mandar, tenta destruir. Só que a tragédia do Castor é simples. Julga que ainda engana alguém, quando toda a cidade já percebeu que a sua carreira terminou no dia em que vendeu a lealdade pelo preço de um apartamento e de meia dúzia de ilusões. Um triste vendido e um mero vigarista!
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