A Madeira tem problemas.
O
Mas o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura — três pastas numa só, reparem bem, Turismo, Ambiente E Cultura, uma trilogia de responsabilidades que daria trabalho a dez pessoas competentes — o Secretário Eduardo Jesus encontrou a solução para os madeirenses. Um Dia do Clássico. Juro. Não estou a inventar.
O governante que tutela o Ambiente de uma ilha com cinco ETAREs avariadas a despejar dejetos no mar quer criar um dia para incentivar os proprietários de automóveis clássicos a circular com eles no dia-a-dia.
Os proprietários. De automóveis clássicos.
Porque, segundo o próprio, "a pior coisa que pode acontecer a qualquer clássico é ficar parado."
Eduardo Jesus, com todo o respeito que o cargo merece — e não é muito, dadas as circunstâncias —, a pior coisa que pode acontecer a um madeirense não é ter um carro clássico parado na garagem. É não ter garagem. É não ter casa. É não ter renda que consiga pagar. É não ter mar onde possa mergulhar sem sair com uma infeção de pele. É não ter jardim onde os filhos possam brincar. É não ter futuro que justifique ficar na ilha.
O que fez este secretário pelo Ambiente da Madeira? Pelo mar contaminado? Pelas ETAREs que não tratam o que devem tratar? Pela costa sul da ilha onde médicos começam a documentar dermatites e infeções em quem ousou dar um mergulho?
Silêncio.
Isto resolve algum problema real de alguém?
Propomos, humildemente, uma alternativa ao Dia do Clássico:
O Dia do bardamerda — um dia por ano em que celebramos os secretários incompetentes e se registam as asneiradas que fazem durante o mandato.
Madeirense. Contribuinte. Sem automóvel clássico — tenho um Twingo de 2009 que também não circula, mas por razões diferentes.
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