Bom dia.
O Director do DN-M (que felicito pelo novo cargo, terá grandes desafios) acha que os líderes ou cabeças de lista partidários têm "pavor das sondagens". Se eles estão como o cidadão, creio que estão indiferentes, desvalorizam mas por respeito não o dizem, eu vou explicar pelo que sinto e vejo.
Sobretudo na Madeira, considero a taxa de participação nas sondagens baixa por medo. Dos que não recusam a participação, muitos respondem com diplomacia, o politicamente correto, o que pode não ser o seu real voto ou até ser verdade mas depois mudar. Algumas vezes as sondagens não "adivinham" por métodos sérios e acabam por dar razão a métodos não oficiais, com baixa amostra para tirar conclusões, eu quase diria uma sondagem de palpite e compensada empiricamente.
O ambiente político na Madeira, o facto dos jornais estarem conotados com o poder e os grupos económicos dominantes, com monopólios e influência nas decisões políticas deste Governo Regional, criam suspeitas insanáveis. Não se pode tornar jornais subsidiados pelo poder credíveis depois de todo o suporte de propaganda, pago ou favorecido, que divulgam para além de vingar as narrativas que importam. É verdade que a iliteracia facilita esse trabalho, em parte resulta com as classes mais desinformadas, mas ler sondagens cabe a um outro mundo mais pensante que se deixa recatado.
Um parêntesis, eu por vezes não sei se os "polígrafos" servem para desmentir a oposição ou desmentir as verdades perante as fake news que o Governo aplica ao abrigo da propaganda do MediaRAM. Também ele, o "polígrafo", cumpre como as sondagens o desígnio de provocar estímulos no eleitorado conforme a estratégia de campanha ou elementos mais fogosos e credíveis que importa desacreditar.
A indiferença sobre as sondagens dos jornais reside na desconfiança e falta de idoneidade em que lamentavelmente caíram, isto anda tudo ligado, a sondagem pode ser idónea mas cai num contexto de descredibilização.
Os jornais correm num grave perigo. Àqueles a quem estão afectos, não provocam a leitura porque já sabem a cartilha toda e o que andam a fazer. Os outros, normalmente afetos à oposição, não acham os jornais credíveis e observam o exagero de narrativa do poder e a falta de contraditório, mas também a falta de jornalismo de investigação, aquele que traria a verdade que sem dúvida beneficiaria esta mesma oposição. Ao furtar-se ao verdadeiro jornalismo, os jornais beneficiam o poder, nesta região "barril de pólvora" do país.
Os dois jornais aguentam-se enquanto servirem o poder, que com o tempo fica sem diplomacia e exige um jornalismo à medida, e os jornalistas que têm de levar pão para casa acedem, adaptam-se, acostumam-se, por vezes chegam ao topo: cão de fila. A honra não pode ser exigida.
Jornais na Madeira, sem um enquadramento de um Grupo de Média que compense, nunca resultará. Sérgio Marques mostrou a sua frustração no Inquérito Parlamentar das "obras inventadas", de como ninguém apareceu para ficar com o jornal que queria reabilitar. Por outro lado, este mercado de opulência e bicos de pés, na hora da verdade, não tem economia capaz de aguentar clubes de futebol e jornais, é a nossa real dimensão. Talvez desprezo de muitos.
Um grupo de média, se pegasse nalgum jornal regional, deveria garantir independência financeira, direta ou indiretamente, em relação ao Governo Regional, se calhar absorvendo o déficit com outra actividade económica conexa, regional, nacional ou internacional. Depois deveria haver o saneamento dos jornalistas conotados com o regime, remodelação completa do quadro de colaboradores dos artigos de opinião por pessoas sem conotações, interesses, causa própria ou intuito de promoção pessoal no quadro do regime. Deveria cortar com os assessores de imprensa do governo e concretizar a notícia com a sua estrutura. Não será necessário dizer que agências de comunicação e propaganda não passavam do departamento de publicidade, sem acesso à redação.
Perante esta realidade, conclui-se que o desafogo financeiro viabilizado aos jornais regionais são a morte da idoneidade. Não sei se fui demasiado sincero ou inconveniente, é o que acho.
Nota: é um erro cobrar pela opinião oriunda de colaborações gratuitas de conhecimento. Mas lá está, numa outra era que não esta com uma quantidade enorme de gente conotada com tudo nos artigos de opinião.
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Enviado por Denúncia Anónima.
Quinta-feira, 15 de Junho de 2023
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